Lula oficializa o “better call Joesley”

Esqueça as chancelarias, os diplomatas de carreira e os memorandos sigilosos. A verdadeira política externa brasileira, pragmática e de resultados, hoje cabe no bolso do paletó de um bilionário. Quando Luiz Inácio Lula da Silva precisou quebrar o gelo com Donald Trump, não foi a estrutura centenária do Ministério das Relações Exteriores que fez a ponte. A linha direta com o Salão Oval foi estabelecida por Joesley Batista, sacando seu celular privado.

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Enquanto Joesley operava nas sombras como o chanceler de fato do Planalto, a face pública desse novo pacto diplomático-empresarial brilhava em Nova York. No palco do Diálogos Esfera, a cena era quase didática: Wesley Batista dividindo os holofotes com Donald Trump Jr. e André Esteves, o todo-poderoso chairman do BTG Pactual.

O clima era de clube privado. Quando Wesley elogiou o mercado americano como um “lugar fantástico para se trabalhar”, tomou de Trump Jr. a famosa herança retórica do pai: “Você está contratado”. Mas o que parecia apenas uma troca de afagos entre herdeiros e bilionários era, na verdade, um recado ao mercado. Ao declarar que os EUA são um “ótimo país para investir”, independentemente de quem o governe, Wesley não fazia análise política; fazia o pitch da JBS, que trava uma longa batalha de bastidores para emplacar suas ações na Bolsa de Nova York (NYSE).

Essa sobreposição entre Estado e megaempresas não é um raio em céu azul. É a consolidação de um modus operandiperfeitamente ensaiado nos laboratórios da crise venezuelana.

Vale lembrar como o Brasil resolveu seu impasse com Caracas. Quando as narrativas ideológicas e o peso das sanções travaram a diplomacia oficial, foi o grande capital que destrancou a porta. A J&F, através da Âmbar Energia, assumiu a importação de energia da hidrelétrica de Guri, viabilizando o fornecimento a Roraima e criando, de quebra, um mecanismo para abater as dívidas bilionárias da Venezuela com o Brasil. Na retaguarda, o BTG de André Esteves oferecia a régua e o compasso, desenhando a engenharia e precificando os riscos de operar em um terreno onde a moeda derrete e a segurança jurídica inexiste.

O que une o socorro elétrico na Venezuela à ligação telefônica para Trump? O agnosticismo ideológico. Para os controladores do PIB brasileiro, não importa se o interlocutor veste farda verde-oliva em Miraflores, boné vermelho na Flórida ou estrela no peito no Alvorada. O alinhamento não é político; é de caixa, de preservação e expansão de ativos.

Ao terceirizar suas missões mais espinhosas — seja reatar laços com um vizinho sancionado ou abrir canal com a nova (e velha) direita americana — o governo ganha a eficiência que a máquina pública não entrega. Em troca, essas corporações recebem um hedge político inestimável. Tornam-se indispensáveis para a República.

Ao transformarem a diplomacia em uma extensão de seus conselhos de administração, os irmãos Batista e André Esteves mostram que o Estado brasileiro, no fim do dia, funciona muito bem. Basta saber de qual celular ligar.



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