Parlamentares do PT, em articulação com entidades sindicais e movimentos sociais, intensificaram nas últimas semanas a mobilização pela reestatização de ativos do sistema Petrobras. O alvo são refinarias, a BR Distribuidora e a Liquigás — vendidas em gestões anteriores. A iniciativa ganhou forma institucional com o lançamento, em Brasília, da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reestatização.
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A frente reúne deputados e senadores do PT, PCdoB, PSOL, PV, Rede, PDT e PSB, além de dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e representantes de centrais sindicais. A coordenação política está concentrada em integrantes da bancada petista na Câmara.
O objetivo declarado
Durante o lançamento, lideranças sindicais e parlamentares afirmaram que a meta é reconstruir o chamado sistema integrado da Petrobras — com atuação “do poço ao posto”. A estratégia prevê retomada do controle estatal sobre toda a cadeia de produção, refino e distribuição de combustíveis.
A articulação inclui pressão direta sobre o governo Lula para que avalie medidas de reversão das privatizações realizadas nas gestões anteriores. A frente também deve atuar na formulação de propostas legislativas e no acompanhamento de políticas do Executivo no setor de energia.
Os argumentos da FUP
Representantes da FUP afirmam que a venda de ativos comprometeu a atuação da Petrobras em áreas estratégicas. A diretora da entidade, Bárbara Bezerra, citou a alienação da BR Distribuidora, em 2019, como exemplo. Segundo ela, a operação permitiu que grupos privados continuassem usando a marca Petrobras mesmo após a saída da estatal do controle da empresa.
“Não há atualmente postos pertencentes à Petrobras, embora a marca siga presente no mercado”, afirmou Bárbara Bezerra, diretora da FUP, durante evento da frente parlamentar.
Bezerra também citou a venda da Liquigás, concluída em 2020, e associou a operação ao aumento no preço do gás de cozinha.
Segundo um dado apresentado pela FUP, o botijão sairia das distribuidoras por cerca de R$ 37 e chegaria ao consumidor final por valores próximos a R$ 155 — uma diferença de mais de quatro vezes o preço de origem.
A estratégia no Congresso
A agenda coordenada em Brasília prevê visitas a gabinetes parlamentares, realização de audiências públicas e participação em atos organizados por entidades sindicais. O objetivo é criar ambiente favorável no Congresso para que o governo federal adote medidas de reversão das privatizações.
Defensores da pauta argumentam que a presença estatal ao longo da cadeia produtiva poderia influenciar os custos ao consumidor final. A reestatização é descrita por parlamentares da frente como medida para recuperar ativos considerados estratégicos e ampliar a capacidade de intervenção do Estado no mercado de combustíveis.
O que vem pela frente
Nos bastidores, interlocutores da frente avaliam que a pressão política e sindical deve se intensificar ao longo do ano. A expectativa é de que o tema avance dentro do governo Lula e ganhe espaço no Legislativo antes das eleições de 2026.
A frente parlamentar não tem poder deliberativo. Sua atuação depende da disposição do Executivo em reverter as privatizações — o que até o momento não foi sinalizado formalmente pelo governo.