CPI aponta uso de 300 festas de luxo por Vorcaro para influenciar autoridades

Em mensagem, Vorcaro diz estar sofrendo 'extorsão'

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, rejeitado por seis votos a quatro após articulação governista, detalha um suposto esquema de influência articulado pelo empresário Daniel Vorcaro com alcance sobre diferentes esferas do poder público.

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Elaborado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), o documento descreve a promoção sistemática de eventos de alto padrão como ferramenta de aproximação com autoridades. Segundo a investigação, encontros privados e festas exclusivas eram utilizados para criar vínculos e ampliar a capacidade de influência do grupo.

Mensagens atribuídas ao próprio empresário, interceptadas pela Polícia Federal, indicam que essas reuniões eram tratadas como parte de seu “business”. Ao longo de sua atuação, cerca de 300 eventos desse tipo teriam sido organizados com a presença de figuras ligadas aos três Poderes.

Registros financeiros analisados pela CPI apontam que, apenas em 2024, os gastos com eventos e benefícios direcionados a autoridades chegaram a US$ 11,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 60 milhões na cotação da época. Para o relator, os recursos faziam parte de uma engrenagem voltada à obtenção de favorecimento institucional e proteção contra investigações.

Um dos pontos destacados no relatório envolve encontros realizados em Trancoso, no sul da Bahia, conhecidos como “Cine Trancoso”. Segundo a apuração, os eventos eram restritos a convidados selecionados e contavam com logística internacional para recrutamento de mulheres estrangeiras, com despesas custeadas pelo empresário.

De acordo com o documento, havia regras rígidas de confidencialidade, como a retenção de celulares dos participantes, enquanto o ambiente era monitorado por câmeras internas. Na avaliação do relator, o sistema poderia funcionar como instrumento de controle sobre os convidados.

A investigação também teve acesso a cerca de 400 gigabytes de dados extraídos de dispositivos eletrônicos e armazenamento em nuvem. O material inclui registros de eventos em Brasília, Trancoso e Londres, além de documentos e vídeos que reforçariam as suspeitas sobre a natureza das interações promovidas.

Com base nesse conjunto de elementos, o relatório aponta indícios de crimes que vão além de corrupção, incluindo possível tráfico internacional de pessoas e exploração sexual. Segundo o texto, mulheres estrangeiras teriam sido utilizadas como vantagem indevida em um esquema de cooptação de agentes públicos.

O documento também cita eventos paralelos realizados durante o Fórum Jurídico de Lisboa, associado ao ministro Gilmar Mendes. A programação extraoficial teria incluído festas, jantares e transporte em jatos privados, com despesas superiores a US$ 1,6 milhão.

A inclusão de ministros do Supremo Tribunal Federal gerou reação da Corte. Em nota, o tribunal, sob presidência de Edson Fachin, repudiou as menções e afirmou que excessos em comissões parlamentares podem comprometer garantias constitucionais e a independência entre os Poderes.

O ministro Gilmar Mendes solicitou à Procuradoria-Geral da República a apuração da conduta do relator, alegando possível abuso de autoridade. Apesar de rejeitado, o relatório deve continuar sendo analisado por órgãos de controle e investigação.



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