O Banco Central (BC) avaliou nesta segunda-feira (13) que o superendividamento avança no Brasil e já atinge milhões de pessoas. A informação costa em Relatório de Cidadania Financeira divulgado nesta tarde.
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No fim de 2024, segundo o Relatório de Cidadania Financeira, 117 milhões de brasileiros tinham dívidas com instituições financeiras. Ao mesmo tempo, 130 milhões, cerca de 74% da população com relacionamento bancário, possuíam limite de crédito disponível.
“Em quatro anos, 32 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso a estes produtos, um crescimento de 34%”, informou a autarquia.
O diagnóstico surge enquanto o governo Lula (PT) discute medidas para conter o avanço das dívidas em pleno ano eleitoral:
- Uma das proposta inclui unificar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos de 30% a 80% nos juros, podendo chegar a 90%.
- Outra frente em análise prevê o uso do FGTS para quitar dívidas, com limites.
- As medidas já foram admitidas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O relatório do BC divulgado hoje aponta “expansão expressiva de modalidades de crédito sem garantia”, que têm juros mais altos: “O número de brasileiros com empréstimo pessoal mais que triplicou desde 2020 – 214% de crescimento no período, atingindo 41,7 milhões de clientes. Um segundo ponto de destaque foi o crescimento do número de clientes com dívidas no cartão (ou seja, uso do rotativo ou parcelado), de 55% entre 2020-2024, totalizando cerca de 53 milhões de pessoas em 2024”.
O cartão de crédito segue como principal fator de endividamento dos brasileiros. Em 2024, os empréstimos nessa modalidade somaram quase R$ 400 bilhões, o maior valor da série histórica.
Outras linhas também cresceram. Cheque especial e crédito consignado atingem cerca de 24 milhões de clientes cada, com alta de aproximadamente 20% no período.
“Os financiamentos com garantia de alienação fiduciária (imobiliário e automotivo) alcançaram pouco menos de 10 milhões de clientes cada. O financiamento automotivo, entretanto, teve crescimento de apenas 3% no período, enquanto o imobiliário cresceu 23%”, informa o BC.
A autoridade monetária destaca ainda impactos além das finanças. De acordo com o BC, o endividamento provoca “impacto psicológico profundo e abrangente” na população. “Estudos mostram que o endividamento excessivo está associado a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. A preocupação constante com as contas a pagar e a sensação de impotência diante das dívidas podem levar a problemas de sono, baixa autoestima e até mesmo a conflitos familiares”, informou.
O relatório conclui que a ampliação do crédito, sem oferta adequada ao perfil do cliente e sem educação financeira, tem levado brasileiros a contrair dívidas que não conseguem pagar.