O relatório final da CPMI do INSS, apresentado pelo relator Alfredo Gaspar, pede o indiciamento do senador Weverton Rocha por suspeita de participação no núcleo político que teria sustentado um esquema de fraudes em benefícios previdenciários. O texto ainda será votado pela comissão.
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Segundo o documento, o parlamentar manteve interlocução com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador do esquema. O relatório afirma que ambos se reuniram diversas vezes, no Senado e na residência do senador, em Brasília.
Em manifestação anterior, Weverton afirmou que conheceu Antunes em um encontro social e que ele se apresentou como empresário do setor farmacêutico. O senador confirmou reuniões em seu gabinete para tratar de proposta legislativa sobre importação de produtos à base de cannabis para fins medicinais.
O parecer também aponta que o senador indicou André Fidélis para a Diretoria de Benefícios do INSS. Fidélis foi afastado em 2024 após surgirem suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Outro ponto citado envolve conexões entre empresas ligadas a Antunes e estruturas associadas ao gabinete do parlamentar.
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a prisão preventiva do senador, sob a alegação de que ele integraria o núcleo político do esquema. Trechos da decisão judicial citados no relatório indicam que a aproximação entre Weverton e o “Careca do INSS” teria ocorrido com intermediação de um assessor.
O relator afirma que a atuação do senador foi “fundamental” para que o operador alcançasse objetivos junto a órgãos da administração pública federal.
No Senado, Weverton é vice-líder do governo e aliado do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Ele também foi escolhido relator, na Comissão de Constituição e Justiça, da indicação de Jorge Messias ao Supremo.