O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, viajou para a Espanha e abriu uma empresa no país após o avanço das investigações sobre fraudes no INSS. A apuração analisa possível ligação dele com o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema.
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Segundo informações publicadas nesta quarta-feira (18), Lulinha abriu a empresa Synapta, voltada a tecnologia, consultoria técnica, informática, soluções digitais e intermediação comercial.
A companhia foi registrada em janeiro e formalizada no início de fevereiro no Registro Mercantil de Madri.
A defesa confirmou a abertura da empresa e afirmou que o negócio atende às exigências legais. Segundo os advogados, trata-se de uma empresa “de gaveta”, criada para projetos futuros no exterior.
Os advogados também informaram que Lulinha vive atualmente fora do Brasil e recebe rendimentos como pessoa física, sem detalhar clientes ou contratos por questões de privacidade.
Estrutura da empresa
Documentos indicam que Lulinha é o único administrador da Synapta. O capital social declarado é de 3 mil euros, valor mínimo exigido pela legislação espanhola, equivalente a cerca de R$ 18 mil.
O endereço registrado é o de um escritório de advocacia especializado em assessoria a empresas estrangeiras.
Funcionários do local disseram não conhecer a empresa, mas afirmaram que o uso de endereço fiscal é prática comum.
Investigação
Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPMI do INSS, mas o acesso aos dados foi suspenso por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Dados da Polícia Federal apontam movimentações financeiras de cerca de R$ 19,5 milhões em quatro anos.
A investigação também registra que o empresário se mudou para a Espanha em 2025 sem previsão de retorno, informação confirmada pela defesa.
Segundo os advogados, a mudança não tem relação com as investigações e ele retornará ao Brasil caso seja convocado.
A apuração analisa ainda relatos de que o “Careca do INSS” teria feito repasses indiretos ao empresário por meio de terceiros.
Relação com investigado
A defesa afirma que não houve relação comercial entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho confirmou que Lulinha viajou a Portugal em 2024 com o empresário, mas disse que o objetivo foi conhecer uma fábrica de cannabis medicinal.
“Fábio não está, de nenhuma forma, ligado ao Antônio Carlos, é só olhar as informações bancárias”, afirmou.
Segundo ele, a aproximação ocorreu por meio da empresária Roberta Luchsinger.
O advogado também declarou que o investigado “nunca depositou um real” nas contas de Lulinha.