Ministros do STF defendem impedimento de Toffoli no caso Master

Ministro Dias Toffoli presidindo a sessão da 2ª Turma do STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem, nos bastidores, que o ministro Dias Toffoli se declare impedido de participar do julgamento da nova fase da Operação Compliance Zero, que pode confirmar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

De forma reservada, magistrados avaliam que não há impedimento técnico obrigatório para a participação de Toffoli no julgamento. segundo apuração do O Globo. Ainda assim, consideram que a declaração de impedimento poderia encerrar a controvérsia envolvendo o ministro e o caso.

O episódio provocou questionamentos internos no tribunal e levou à saída de Toffoli da relatoria do inquérito no mês passado. Após a decisão, o processo foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça.

Julgamento ocorrerá na Segunda Turma

A decisão de Mendonça que determinou a prisão de Vorcaro será analisada pela Segunda Turma do STF em julgamento no plenário virtual, previsto para começar no dia 13 de março.

O colegiado decidirá se mantém ou revoga a prisão preventiva do empresário.

A Segunda Turma é composta pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli.

Caso Toffoli decida se declarar impedido, ele não participará da análise do caso.

Possível impacto no resultado

Se o ministro se afastar do julgamento, existe a possibilidade de empate na votação. Nesse cenário, prevalece a decisão mais favorável ao réu.

A declaração de impedimento ou suspeição depende de manifestação do próprio magistrado. Nos julgamentos virtuais, o ministro registra a decisão diretamente na plataforma do tribunal.

Saída da relatoria

Toffoli deixou a relatoria do caso Master após reunião convocada pelo então presidente do STF, Edson Fachin, para discutir relatório da Polícia Federal que mencionava o nome do ministro em mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

O ministro confirmou que foi sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort ligado ao caso, mas afirmou que não recebeu valores do banqueiro e que não possui relação de amizade com ele.

Após a saída de Toffoli da relatoria, uma ação de suspeição contra o ministro foi arquivada.

Investigação do Banco Master

A decisão que será analisada pela Segunda Turma autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero.

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com indícios de crimes como gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo investigadores, o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez, além de operações utilizadas para ocultar prejuízos e desviar valores.

A operação já teve três fases. A primeira ocorreu em novembro de 2025 e investigou a venda de carteiras de crédito sem lastro. A segunda, em janeiro de 2026, ampliou o foco para fundos de investimento ligados à gestora Reag. A terceira fase incluiu novas prisões e medidas cautelares contra investigados ligados ao caso.



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