Poupança registra nova fuga de recursos no início de 2026

Juros da dívida pública consomem mais de R$ 1 tri do Estado brasileiro

A caderneta de poupança iniciou o ano com nova saída líquida de recursos. Em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões, segundo dados divulgados nesta manhã (06) pelo Banco Central (BC).

No mês, as aplicações totalizaram R$ 331,2 bilhões, enquanto os resgates somaram R$ 354,7 bilhões. Os rendimentos creditados alcançaram R$ 6,4 bilhões. Apesar do resultado negativo, o saldo total da poupança segue pouco acima de R$ 1 trilhão.

O fluxo de retiradas tem se repetido nos últimos anos. Em 2023, a saída líquida foi de R$ 87,8 bilhões; em 2024, de R$ 15,5 bilhões. Já em 2025, o saldo negativo acumulado chegou a R$ 85,6 bilhões.

Com o desempenho de janeiro, o estoque de recursos aplicados na poupança recuou. O volume total caiu de R$ 1,02 trilhão em dezembro para cerca de R$ 1 trilhão no encerramento do mês passado.

O esvaziamento da caderneta coincide com os gastos típicos do início do ano, como despesas escolares, pagamento de tributos (a exemplo de IPVA e IPTU em alguns municípios), além de compromissos assumidos no fim do ano e viagens de férias.

O BC também aponta que a inadimplência bancária encerrou 2025 em nível recorde, enquanto o endividamento das famílias permanece elevado.

Outro fator que afasta os investidores é a baixa rentabilidade da poupança em um cenário de juros elevados. Atualmente, a remuneração é composta pela TR (taxa referencial) mais 0,5% ao mês, regra válida enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano — patamar bem abaixo dos atuais 15% fixados para a taxa básica de juros.



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