A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 10 trilhões, informou o Banco Central nesta sexta-feira (30). No fim de 2024, o indicador correspondia a 76,3% do PIB, o que representa um aumento de 2,4 pontos percentuais ao longo do ano.
O indicador reúne os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), a dívida bruta avançou sete pontos percentuais. Em valores nominais, o crescimento acumulado chega a aproximadamente R$ 2,79 trilhões.
Segundo o Banco Central, a principal pressão sobre a dívida em 2025 veio da incorporação dos juros nominais, responsável por um impacto positivo de 8,9 pontos percentuais no indicador. O efeito foi parcialmente compensado pelo crescimento do PIB nominal, que contribuiu para reduzir a dívida em 5,7 pontos percentuais, além da valorização do câmbio e de outros ajustes na dívida externa.
O setor público consolidado — formado pela União, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit nominal de R$ 1,06 trilhão em 2025, o equivalente a 8,34% do PIB. O resultado inclui os gastos com juros da dívida pública, que somaram cerca de R$ 1 trilhão no período, acima do valor observado em 2024.
A dívida bruta é utilizada como um dos principais indicadores da capacidade de solvência do país. Níveis mais elevados de endividamento tendem a aumentar a percepção de risco e pressionar a taxa de juros, com reflexos sobre o crédito e o crescimento econômico.
Projeções oficiais indicam que a dívida pública deve continuar em trajetória de alta, podendo alcançar 83,6% do PIB ao fim de 2026. Em metodologia alternativa utilizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos públicos na carteira do Banco Central, o endividamento brasileiro chegou a 93,4% do PIB no encerramento do ano passado.