Credcesta foi estreia do Master no consignado

Duas semanas depois de privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela Cesta do Povo, o governador Rui Costa editou decreto garantindo uma margem de consignação exclusiva de 30% para o programa Credcesta. O texto também permitiu a expansão dos serviços financeiros associados ao cartão, no limite de 50%. Na prática, o petista permitiu que os servidores públicos do estado pudessem comprometer até 75% de sua renda com descontos compulsórios e facultativos.

Ao expandir a capacidade de endividamento do funcionalismo, Costa turbinou o contrato para operacionalização do cartão de empréstimos e benefícios, vinculado originalmente à rede de supermercados estadual. A canetada transformou um negócio deficitário e vendido por apenas R$ 15 milhões num portfólio bilionário de consignados, depois usado para alavancar a carteira de CDBs do Master.

É possível dizer que Rui Costa e seu então secretário de Desenvolvimento, Jaques Wagner, transformaram o banco recém-adquirido por Daniel Vorcaro numa máquina de fazer dinheiro. O elo do negócio foi justamente o empresário baiano Augusto Lima, o sócio petista do Master.

Em recente entrevista a um podcast baiano, Wagner admitiu ter conduzido todo o processo na gestão de seu pupilo Costa, contando sobre a transformação do Credcesta num cartão de serviços para compras e saques, vinculado à folha de pagamento do estado. Sem qualquer pudor, o senador disse que Lima “se interessou” pelo negócio, “mas não tinha dinheiro”. “Foi aí que entrou esse Vorcaro com o banco Máxima. Ele entrou com o dinheiro que esse baiano não tinha e depois virou Banco Master”, disse o atual líder do governo Lula no Senado.

“Apareceu o Augusto Lima, que nem era do banco. Era um cabra que vendia consignado em sindicato. Ele se interessou porque na venda da (rede de supermercados) Cesta do Povo, estava embarcado o cartão cesta, que o estado dava para todos os funcionários e aposentados, que o cara podia ir comprar e descontar no final do mês. Comprava no cartão e ia ser descontado na folha no mês seguinte.”

MASTER FOI SUBCONTRATADO

Embora o senador tente dar ares de normalidade e legalidade para o caso, todo o processo foi marcado por irregularidades formais e suspeitas de favorecimento, nunca investigadas. Documentos internos obtidos com exclusividade por este site mostram, por exemplo, que N.G.V.S.P.E. Empreendimentos e Participações, empresa de prateleira usada para vencer formalmente o contrato, cedeu imediatamente os direitos de exploração do Credcesta para a PKL One Participações, que, por sua vez, entregou tudo ao Banco Máxima.

O problema é que, até então, o banco nunca havia feito consignado, o que deveria ser uma exigência inafastável para a obtenção dos direitos sobre o contrato. A incapacidade técnica está descrita numa das cláusulas do acordo, onde consta que “o Banco Máxima, embora não possua experiência, possui interesse em se lançar no mercado de crédito consignado para servidores públicos, através de cartão de crédito, iniciando pelo Estado da Bahia”.

Para Jaques Wagner e Rui Costa, pelo visto, bastava o agente privado ter interesse no negócio para vencê-lo. Os documentos também revelam a estruturação por Vorcaro do FIP Diamond, com administração da Reag e gestão da WNT, envolvidas em diversos negócios do Master investigados pela Polícia Federal.

Uma análise superficial dos documentos do negócio mostra que os acordos são assinados por executivos do próprio banco de Vorcaro, vários deles investigados, além de advogados que atuaram direta ou indiretamente para a instituição financeira ao longo dos anos. Augusto Lima, o cabra citado por Wagner, curiosamente não consta de nenhum documento. Já o de Vorcaro aparece numa carta de compromisso vinculada à parceria para a operação do consignado.

SÓCIO FANTASMA

O único vínculo formal com o baiano surge numa carta do governo de Rui Costa à Consiglog Tecnologia e Soluções, responsável pelo software que averba os financiamentos nos contra-cheques dos servidores, permitindo o desconto automático a cada mês. Na data da privatização, Lima já havia saído da empresa, deixando no lugar seu próprio advogado André Kruschewsky Lima, que depois seria nomeado diretor jurídico do Master.

Como revelamos mais cedo no programa ALive, o Credcesta depois foi levado para mais de 20 estados, em 168 municípios, e chegou a representar 100% da carteira de varejo do Master. Esse percentual depois caiu para 80% com a criação do Will Bank. Em depoimento recente à Polícia Federal, Vorcaro disse que Lima era quem tocava a operação do consignado.

O baiano também foi CEO do Master e, quando deixou o banco em 2024, já diante do risco de crise, levou a carteira do Credcesta para outro banco, o Pleno (ex-Voiter), obtendo autorização do Banco Central de Gabriel Galípolo para operar.

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