Damares pede à PGR apuração sobre encontros sem agenda entre Lula, Galípolo e Vorcaro

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou nesta semana um ofício na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a instauração de procedimento para apurar a conduta de autoridades federais em encontros não registrados oficialmente.

A representação pede apuração sobre a omissão de registros em agendas oficiais de reuniões entre o Lula e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o documento, reportagens indicam que Lula teria recebido Vorcaro em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, sem registro público. O encontro teria sido intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega e pelo chefe do gabinete pessoal da Presidência, Marco Aurélio Ribeiro.

A senadora afirma que novas informações apontam outros encontros, também sem divulgação oficial, em dezembro de 2025, período em que o Banco Master já enfrentava processos de liquidação conduzidos pelo Banco Central.

No ofício encaminhado ao procurador-geral Paulo Gonet, Damares sustenta que a ausência de publicidade viola princípios constitucionais. “Todas as autoridades estão sujeitas à obrigação de divulgarem suas agendas oficiais pela aplicação dos princípios da moralidade administrativa e da publicidade, previstos no art. 37 da Constituição e na Lei de Conflito de Interesses”, escreveu.

A parlamentar levanta a hipótese de que Vorcaro buscava influência junto ao Executivo e à cúpula do Banco Central para tratar de questões relacionadas à situação do banco.

A representação também menciona contratos firmados pelo Banco Master com figuras ligadas ao Judiciário e ao governo. O texto cita um contrato de alto valor entre a instituição financeira e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, para prestação de serviços jurídicos.

O documento ainda menciona a contratação do ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, com valores que, segundo a senadora, ultrapassariam R$ 120 milhões. Damares aponta declaração do senador Jaques Wagner confirmando que indicou Lewandowski ao banco após pedido de representantes da instituição.

A senadora solicita que a PGR apure se Lewandowski atuou como consultor do Banco Master enquanto ainda ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Entre os pedidos, Damares requer a adoção de medidas de investigação, incluindo a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos, para esclarecer os fatos. A representação também pede a apuração de eventuais crimes de responsabilidade atribuídos ao presidente da República, ao presidente do Banco Central e ao chefe do gabinete pessoal da Presidência.

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