As fraudes envolvendo a compra do Banco Master levaram o Banco de Brasília (BRB) a se tornar sócio de fundos que administram mais de 100 restaurantes e quatro shoppings espalhados pelo país, segundo apuração da CNN.
Para compensar as perdas decorrentes da venda de títulos fraudulentos ao banco estatal, o Master repassou ao BRB ativos com valor de mercado. As operações ocorreram no ano passado. A atual gestão do BRB, presidida por Nelson Antonio de Souza, avalia a possibilidade de negociar esses ativos.
Um dos repasses envolve o fundo Strelitzia, administrado, entre outros, pela Reag Trust Administradora de Recursos, empresa que está no centro das apurações relacionadas ao caso Master. Com a operação, o BRB passou a integrar o quadro societário do fundo.
O Strelitzia é um dos proprietários do grupo Alife Nino, um dos maiores conglomerados de bares e restaurantes do país. O grupo reúne 14 marcas e mais de 70 operações em 11 estados, incluindo Nino, Peppino, Irajá Redux, Boteco Rainha, Boteco Boa Praça e Eu Tu Eles.
No ano passado, o Alife Nino adquiriu o grupo Drumattos por R$ 198 milhões. A empresa controla mais de 70 restaurantes e marcas como Camarada Camarão e Camarão & Cia. O presidente do grupo é Pedro Silveira, ex-CEO da XP Internacional e ex-CFO do Corinthians.
De forma semelhante, o BRB tornou-se sócio do fundo Macam. Com isso, passou a ter participação indireta em quatro shoppings localizados no Distrito Federal, Paraná, Goiás e Espírito Santo.
Ao todo, o banco público passou a integrar ao menos oito fundos de investimento ligados às operações investigadas no âmbito do Banco Master. Com isso, assumiu participação em ativos considerados de valor de mercado e outros sob questionamento.
O repasse desses ativos ocorreu a partir de julho do ano passado e não consta no último balanço patrimonial divulgado pelo BRB, referente a junho.
Em nota, o BRB informou que acompanha as apurações conduzidas pelo Banco Central e que “prioriza ações de fortalecimento de liquidez, redução de riscos e otimização de capital”. A instituição afirmou ainda que as operações relacionadas à Operação Compliance Zero estão sob análise de investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.
“O BRB permanece comprometido com elevados padrões de integridade e em conformidade com as normas do Sistema Financeiro Nacional, mantendo cooperação integral e contínua com todas as autoridades responsáveis pelas investigações”, afirmou o banco.
A reportagem procurou o grupo Alife Nino e os responsáveis pelo fundo Macam, mas não obteve retorno até a publicação.