O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se defendeu das acusações de envolvimento na trama golpista, durante manifestação organizada pelo pastor Silas Malafaia em sua defesa neste domingo, 29, na Avenida Paulista.
Ele voltou a pedir anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a “pacificação do Brasil”.
O Antagonista transcreve e reproduz abaixo trecho do discurso de Bolsonaro:
“Falei também que não somos iguais à esquerda. Nós respeitamos a Constituição, a família. Falei muita coisa numa cadeira, num grupo enorme de jornalistas. No dia seguinte, o Brasil estava parado com quase mil pontos de estrangulamento de caminhoneiros. Eu tive a humildade de fazer um vídeo, de pedir aos caminhoneiros para que desobstruíssem as pistas.
Se eu quisesse um tumulto, o momento seria a partir daquele, com a boa vontade dos caminhoneiros.
Ato contínuo, a pedido do atual mandatário (Lula), fizemos a transição pacífica, elogiada por Geraldo Alckmin (vice-presidente), que foi o responsável por receber ministros do nosso lado. Nós nomeamos dois comandantes de força a pedido desse cara que está no governo agora. Quem quer dar golpe nomeia comandantes a pedido do opositor?
No dia 30 de dezembro, graças a Deus, decidi sair do Brasil. Algo me fez sair do Brasil. Não era para não passar a faixa. Jamais eu iria passar a faixa para um ladrão. Jamais eu passaria a faixa para um ladrão.
Chegou o fatídico 8 de janeiro. Um movimento mais do que claro, orquestrado pela esquerda. Lula não estava em Brasília. No dia anterior, ele foi para Araraquara (São Paulo), pois sabia o que ia acontecer. Tanto é que as imagens, de mais de duzentas câmeras, sumiram. Tudo foi quebrado antes de aquelas pessoas que, em parte, estavam no acampamento, chegarem.
No dia seguinte, essas pessoas foram presas. E assistimos hoje a condenações a 14, 15, 16, 17 anos de prisão. Como na semana passada, uma mulher com sete filhos, seis menores, foi condenada a 14 anos de cadeia. Essa mulher era golpista? Como a Débora, que tem seus filhos aqui agora — por maioria, foi confirmada a pena de 14 anos de cadeia a ela, com dois filhos pequenos. Isso não é justiça. É uma brutal injustiça.
Por isso, nós lutamos por anistia, que é um remédio previsto na Constituição, de iniciativa própria do Parlamento brasileiro e, independentemente de qualquer um dos outros dois poderes, é o caminho da pacificação.
E quem colabora com ela, mesmo sendo algoz, concordando, está dando um gesto de altruísmo. Nós esperamos que essa anistia tenha apoio dos outros dois poderes, além do Legislativo.
Nós podemos mudar o destino do Brasil. Nós podemos trazer a pacificação. Se alguém aqui, agora, está reclamando da sua vida, lembre-se de que pessoas iguais a você — inocentes, humildes, mães, pais e avós — estão olhando para cima e vendo um concreto em uma penitenciária.
Quem está preso e deve alguma coisa, sente. Agora, quem está preso e nada deve, isso é uma tortura. Isso é um crime. Mas tenho certeza: para quem acredita, não haverá perdão no dia do juízo final. Alguns acham que são imortais. Mas o dia de todos nós chegará.”
O ex-presidente afirmou ainda que “nem precisa ser presidente” para ajudar a “transformar o Brasil”, caso permaneça inelegível até 2030, conforme decisão proferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Nem eu preciso ser presidente. O Valdemar [da Costa Neto, presidente do PL] me mantendo como presidente de honra do Partido Liberal [PL], nós faremos isso por vocês. Me processam, mas não me processam por corrupção, por ter desviado recursos da Petrobras, por ter assaltado o fundo de pensão do Banco do Brasil ou dos Correios. Me processam por uma fumaça de golpe. Que golpe é esse que o Mossad [serviço de inteligência de Israel] não está sabendo sobre ele?”, continuou.
Outros trechos
O ex-presidente também fez um balanço do período em que esteve no Palácio do Planalto e comparou sua gestão com a do governo Lula.
Bolsonaro agradeceu o vereador e filho, Carlos Bolsonaro (PL), por ter sido seu “marqueteiro” em 2018.
“Em 2018, quem decidiu a eleição foi esse cara aqui“, afirmou.
“Um telefone, em uma prancha de surfe, esse foi meu marqueteiro. O marqueteiro Carlos Bolsonaro me colocou na presidência da República.”, acrescentou o ex-presidente.
A manifestação teve como tema “Justiça Já”, e tem inclusive música-tema, com o refrão “Volta, capitão”, que critica o aumento dos preços de alimentos básicos, como arroz, carne e feijão e apela por seu retorno à Presidência.
Inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pressionado pelo julgamento que determinará sua participação nos atos golpistas do 8 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro testou sua popularidade e sua capacidade de mobilização em mais um ato realizado na Avenida Paulista.
Julgamento de Bolsonaro no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, encerrou na sexta-feira, 27, a fase de instrução penal da ação que tramita no Tribunal sobre a tentativa de golpe no país.
Assim, o processo entra na sua reta final e estará pronto para ser julgado no final de agosto ou início de setembro.
Pela decisão de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá 15 dias para apresentar suas alegações finais e depois serão concedidos mais 15 dias para as alegações finais do tenente-coronel Mauro Cid – que assinou acordo de delação premiada sobre essa ação.
Por fim, o ministro concedeu outros 15 dias para que as demais defesas também apresentem suas alegações finais.
Dessa forma, Moraes estabeleceu um período de 45 dias para a apresentação dos últimos argumentos relacionados à ação do golpe. Como o Poder Judiciário entra em recesso na segunda quinzena de julho – e automaticamente os prazos são momentaneamente suspensos – a expectativa é que o processo esteja pronto para julgamento na última semana de agosto ou primeira semana de setembro.
Fonte: O Antagonista