Cariocas podem ver de perto — e de graça — um espólio da Guerra do Paraguai que é alvo de cobiça entre Brasília e Assunção. Trata-se do canhão El Cristiano (na verdade, um obuseiro), que repousa num pátio do Museu Histórico Nacional (MHN), na Praça 15, no Centro do Rio — pelo menos por enquanto.
Uma reportagem da Deutsche Welle republicada pelo g1 mostrou que o recém-empossado presidente paraguaio, o conservador de direita Santiago Peña, manifestou o desejo de repatriar a peça, uma dentre várias que o Brasil tomou após derrotar as tropas de Francisco Solano López na década de 1870.
O obuseiro de 153 anos não homenageia nenhum Cristiano: o nome veio da forja onde o bronze de sinos de igrejas paraguaias foi fundido para virar uma arma — O Cristão, traduzido do espanhol.
É um cristão ferrenho: com 2,94 metros de comprimento e 1,34 metros de largura, pesa 12 toneladas. Ele está marcado com uma inscrição que faz referência à origem: “Da religião ao Estado”.
A briga para que El Cristiano e outros objetos voltem para o Paraguai não começou agora: o governo vizinho reivindica a devolução há mais de uma década, pois considera o canhão como parte importante da memória do país e um símbolo da união de esforços feita durante o conflito.
Obuseiro tombado e apreciado aqui