O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que Lula (PT) precisará montar uma equipe econômica nos moldes da dupla Antonio Palocci e Henrique Meirelles, que atuou no primeiro mandato do petista. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Kassab defendeu que o presidente delegue poderes aos ministros da Fazenda e do Planejamento para conduzir o ajuste fiscal e recuperar a confiança do mercado.
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“O que o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado”, declarou.
Kassab também defendeu cortes de despesas e subsídios, sem aumento da carga tributária. Para ele, a equipe econômica terá de apresentar medidas capazes de equilibrar as contas públicas e criar condições para a redução dos juros e a atração de investimentos.
“Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária”, afirmou.
O dirigente do PSD considera que o cenário econômico atual é mais complexo do que o enfrentado pelo governo em 2003. Por isso, avaliou que a escolha dos ministros da Fazenda e do Planejamento será determinante para o quarto mandato de Lula.
“Nós temos hoje um cenário totalmente diferente e muito mais desfavorável, [o que] faz com que, mais do que nunca, ele entenda que a sua prioridade e a vontade do governo é não errar no ministro da Fazenda e no ministro do Planejamento. São os pilares principais de um governo para dar certo”, acrescentou.
PSD condiciona apoio a diálogo com o centro
Kassab afirmou que o PSD poderá apoiar o governo, mas condicionou a participação formal na base aliada a uma aproximação com partidos de centro e à definição de diretrizes econômicas.
“O PSD não pode se sentir como base se não tiver um governo que tenha os seus olhos também para o centro. Eu passei uma mensagem ao presidente, cumprimentando pela vitória, e no momento que ele nos convidar para uma conversa, nós vamos deixar muito claro isso, que nós acreditamos que se ele fizer um governo também voltado ao centro, ele terá a chance maior de ser bem sucedido”, declarou.
O dirigente também mencionou a possibilidade de apoiar reformas estruturais, entre elas mudanças no sistema eleitoral e no Judiciário.
“Se ele fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais do país, em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário, por que não apoiá-lo?”, questionou.
Na avaliação de Kassab, o governo terá mais facilidade para construir uma base na Câmara dos Deputados. Ele afirmou que partidos já demonstram interesse em integrar a gestão, mas apontou o Senado como um desafio para a articulação política.
O PSD elegeu 43 deputados em 2026, cinco a menos que na legislatura anterior. O PL, por sua vez, terá 121 deputados e 28 senadores.
Kassab critica contestação do resultado eleitoral
O presidente do PSD também criticou a postura de Flávio Bolsonaro (PL) ao questionar o resultado da eleição presidencial. Para Kassab, o partido poderia contestar aspectos específicos da campanha, mas deveria reconhecer a vitória de Lula.
“O que ele podia falar, depois de cumprimentar o presidente eleito, é que o seu partido ia recorrer porque achava que a campanha do Lula abusou aqui, abusou ali, usou da máquina. É normal, isso é normal. Mas, agora, ele não aceitar o resultado não é [normal]”, avaliou.
Kassab também afirmou que questionamentos sobre as urnas eletrônicas prejudicam o bolsonarismo e o PL.
“Questionar a urna, cá entre nós? Chega, chega, isso aí não é mais argumento. Acho que desgasta o bolsonarismo, desgasta o PL. É mais do que provado que a urna, ela é inexpugnável, é um avanço do Brasil”, declarou.
Nomes cotados para a equipe econômica
Entre os nomes mencionados nos bastidores para comandar a economia no quarto mandato de Lula estão o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem mandato até dezembro de 2028.
Kassab defendeu que o presidente escolha dois nomes com autonomia para conduzir as áreas econômica e orçamentária. Na avaliação dele, o ministro do Planejamento deverá atuar no controle das despesas, enquanto o titular da Fazenda terá a missão de transmitir segurança ao mercado.
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