Empresa de Willer abre sigilos e nega vínculo com Flávio

A Alcazar Holdings, empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aceita abrir seus sigilos, mas negou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha participação societária na companhia. Em petição protocolada nesta quinta-feira (22), a holding declarou que o parlamentar nunca foi sócio, administrador ou beneficiário da empresa.

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Para sustentar a posição, a Alcazar anexou seus documentos constitutivos, nos quais Willer Tomaz aparece como titular de 100% do capital social. O contrato social apresentado ao tribunal não inclui Flávio Bolsonaro entre os sócios. A empresa também informou ter capital social de 10 mil euros, mas não apresentou dados fiscais detalhados na manifestação.

“Registra-se, desde já, que a Peticionária não guarda nenhuma relação com o Senador Flávio Bolsonaro. O Senador nunca foi seu sócio, administrador ou beneficiário, nem jamais deteve participação, direta ou indireta, em seu capital”, afirma o documento. A companhia acrescentou que a totalidade de suas quotas sempre pertenceu a Tomaz.

A manifestação ocorre durante a disputa entre as campanhas de Flávio e do presidente Lula (PT) sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos e de seus familiares. A campanha petista havia solicitado que os dados da Alcazar fossem incluídos nas medidas de transparência negociadas entre os adversários.

A empresa está registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e aparece em documentos relacionados a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz. Informações obtidas pelos investigadores e divulgadas anteriormente apontaram Flávio como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à holding, perfil que permite acesso e gerenciamento da conta.

A existência desse registro, porém, não comprova por si só que o senador seja sócio da companhia. A defesa de Flávio e Willer Tomaz nega que os dois mantenham negócios em conjunto, e o contrato social apresentado pela Alcazar aponta o advogado como único titular das quotas.

A holding também detinha participação em uma empresa proprietária de um jatinho utilizado por Flávio e Tomaz em viagens internacionais. A aeronave aparece entre os elementos mencionados na discussão sobre possíveis vínculos financeiros entre o senador e o advogado.

A inclusão da Alcazar no acordo de abertura de sigilos ocorreu após divergências entre as campanhas. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que houve resistência inicial da equipe de Flávio à inclusão da empresa, mas que o impasse foi superado durante as negociações. A campanha do senador, por sua vez, sustentou que aceitaria divulgar os documentos nos termos acertados.

O acordo prevê a abertura de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos e de familiares, conforme as autorizações apresentadas ao TSE. A efetiva obtenção e divulgação dos dados dependem das providências judiciais cabíveis, sob relatoria do ministro André Mendonça.



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