Em 4 de agosto, durante uma busca e apreensão no escritório do advogado Willer Tomaz, agentes da Polícia Federal (PF) procuraram documentos relacionados ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo relato apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo advogado Michael Cunha, que acompanhou a diligência.
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A operação havia sido autorizada pelo ministro André Mendonça para apurar fatos relacionados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Flávio não era investigado naquele procedimento.
Em petição sigilosa encaminhada ao gabinete de Mendonça, Cunha relatou que o delegado André Gherardi e integrantes da equipe mencionaram repetidamente os nomes “Flávio” e “01” durante a busca. Segundo o advogado, os policiais também demonstraram interesse por documentos relativos a imóveis no Rio de Janeiro e comprovantes de pagamentos que, em sua avaliação, não tinham relação com o objeto do mandado.
O Portal Claudio Dantas revelou o conteúdo da petição em 8 de setembro, confira:
Mendonça havia delimitado a busca
A diligência integrava a investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo descontos em aposentadorias do INSS. A decisão judicial estabelecia limites para a apreensão de documentos e previa cuidados com materiais relacionados a outros clientes do escritório.
Segundo a petição de Cunha, os agentes insistiram em recolher pastas com escrituras, anotações, notas fiscais e comprovantes de transferências que, de acordo com o advogado, não estavam relacionados ao caso investigado. Após ser questionado, o delegado teria desistido de levar parte dos documentos, mas fotografado o material.
Cunha também relatou que imagens internas do escritório foram publicadas pelo site Metrópoles durante a diligência. Segundo sua petição, Gherardi admitiu ter compartilhado as fotografias com a coordenação da operação, sem identificar o destinatário.
O advogado apontou possíveis indícios de desvirtuamento do objeto do mandado. As alegações constam do relato apresentado ao STF e precisam ser distinguidas de uma decisão judicial definitiva sobre a legalidade da operação.
Dados recolhidos passaram a integrar investigação contra Flávio
Em 8 de outubro, os autos de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz, empresas ligadas a ele e Flávio Bolsonaro chegaram ao STF. Em 19 de outubro, o Portal Claudio Dantas noticiou que Alexandre de Moraes havia sido sorteado relator do caso.
A reportagem “Moraes é sorteado relator de caso envolvendo Flávio, diz jornal” detalhou que a apuração teve origem em um procedimento da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de plataformas de apostas.
Segundo a descrição dos elementos atribuídos à Polícia Federal, a análise dos dados de Tomaz identificou mensagens, registros de encontros e documentos pessoais relacionados ao senador. Um dos pontos citados pelos investigadores é um cadastro bancário no qual Flávio teria figurado como “usuário master” de uma conta vinculada à Alcazar Holdings.
Flávio nega ter tido acesso ou poderes sobre contas de empresas do advogado. Tomaz também contestou a interpretação dos registros e afirmou que uma vinculação cadastral indevida teria sido corrigida.
A defesa do senador sustenta que ele não é investigado formalmente no procedimento e solicitou acesso aos autos. Portanto, a chegada do caso ao Supremo e a distribuição a Moraes não devem ser confundidas, por si sós, com uma conclusão sobre responsabilidade criminal.
OAB questionou procedimentos em escritórios de advocacia
Em agosto, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil também levou ao STF relatos de possíveis irregularidades em buscas realizadas em escritórios de advocacia. Entre os pontos apresentados estavam diligências em salas de profissionais que não eram alvos, apreensões de equipamentos e divulgação de imagens durante operações.
Em 9 de setembro, o Portal Claudio Dantas publicou “PF paralela à caça de Flávio”, com novos questionamentos sobre a atuação da equipe policial na operação envolvendo Tomaz.
A controvérsia não se resume à possibilidade de investigar fatos novos encontrados durante uma busca. É necessário esclarecer se os agentes respeitaram a delimitação judicial e se os dados posteriormente usados em outra apuração foram obtidos e tratados de forma regular.
Defesa de Tomaz nega irregularidades
Em entrevista ao Portal Claudio Dantas, Willer Tomaz negou irregularidades e apresentou explicações sobre seu patrimônio e suas empresas. O advogado também contestou informações sobre a conta bancária e afirmou que os voos realizados com Flávio e familiares foram viagens de lazer custeadas com recursos pessoais.
