Alerta: Grupo de executivo ligado a Lulinha soma R$ 15 bi em contratos com governo Lula

Na entrevista à CNN no sábado passado, Roberta Luchsinger denunciou a relação de Lulinha com o executivo Amauri Pinha, presidente do conselho da Mota-Engil Brasil (antiga ECB). Embora não tenha entrado em detalhes, ela destacou a amizade entre os dois, revelou que eram vizinhos num condomínio de luxo em São Paulo e deixou no ar a suspeita de que o sucesso empresarial do grupo na gestão Lula 3 teria razões pouco republicanas.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Ainda é cedo para saber se há algo de errado nos contratos do grupo com o poder público, mas os números de fato chamam atenção. Em apenas dois anos, entre 2025 e 2026, a Mota-Engil de Pinha obteve concessões de transporte, contratos de engenharia e manutenção com a Petrobras, construção pesada e até serviços de limpeza urbana. Somando todos os projetos em curso, chega-se à surpreendente cifra de R$ 15,2 bilhões.

O túnel Santos-Guarujá é o projeto de maior visibilidade, mas a presença do grupo também alcança refinarias, plataformas marítimas, instalações submarinas e rodovias, lembrando muito o perfil da Odebrecht, que chegou a ser o maior grupo empresarial da América Latina antes de ser colhido pelas investigações da Lava Jato. A base da operação de engenharia é a antiga Empresa Construtora Brasil (ECB).

Amauri aparece como presidente do conselho da ECB em agenda do DNIT de janeiro de 2025. Em maio de 2025, a Mota-Engil comprou os 50% restantes da ECB. Na mesma semana, fechou dois contratos com a Petrobras que somavam € 490 milhões. Em reais, o valor chega a R$ 2,95 bilhões. O primeiro contrato, de R$ 1,61 bilhão, cobre manutenção, construção e montagem em plataformas no mar.

O segundo, de R$ 1,56 bilhão, trata da retirada de cerca de 420 quilômetros de linhas submarinas nos campos de Marlim, na Bacia de Campos. Em abril de 2026, veio mais um contrato com a estatal, de cerca de R$ 679 milhões, para retirar sistemas submarinos de produção na Bacia de Campos. O maior negócio com a Petrobras, porém, saiu em outubro de 2025. A ECB integra, com 33%, o consórcio que assinou contrato de R$ 4,4 bilhões para obras na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro.

No mesmo comunicado, o grupo anunciou a extensão de outro contrato com a estatal, de cerca de R$ 200 milhões. A fatia da Mota-Engil na Reduc equivale a cerca de R$ 1,45 bilhão. A licitação da Reduc começou antes de Amauri chegar ao conselho. O aviso do certame saiu em 24 de abril de 2024.

Negócio Valor Data
Petrobras, plataformas R$ 1,61 bi mai/2025
Petrobras, Marlim R$ 1,56 bi mai/2025
Petrobras, Portfólio 2 R$ 679 mi abr/2026
Petrobras, extensão de contrato R$ 200 mi out/2025
Petrobras, Reduc (consórcio) R$ 4,4 bi out/2025
Rota dos Sertões, obras (consórcio) R$ 4,13 bi set/2026
Túnel, aporte da União R$ 2,6 bi jan/2026
Total R$ 15,2 bi

Valores de contrato e de investimento previsto, conforme comunicados da Mota-Engil, da Petrobras e do Ministério dos Transportes. Reduc e Rota dos Sertões incluem os sócios dos consórcios. Do túnel, entra só a parcela federal.

A rodovia federal

Em maio de 2026, a Mota-Engil estreou em rodovias federais. O Consórcio 116 Sertões venceu o leilão do Ministério dos Transportes e da ANTT para administrar cerca de 502 quilômetros das BRs 116 e 324, entre Bahia e Pernambuco, por 30 anos. O consórcio reúne a Mota-Engil, a Neo Invest, da Novonor, antiga Odebrecht, e a Galápagos Capital. O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras e R$ 4,4 bilhões em custos operacionais. A assinatura ocorreu em 29 de setembro.

Antes do leilão, Amauri esteve na Casa Civil. Agendas oficiais registram reuniões dele com Rui Costa, então ministro da Casa Civil, e Renan Filho, então ministro dos Transportes, em 17 de setembro e 22 de outubro de 2025.

A Mota-Engil se apresenta como empresa portuguesa. A China Communications, uma das maiores construtoras estatais da China, entrou no capital em 2021. A holding da família Mota vendeu à CCCC 55 milhões de ações, cerca de 23% do capital, por € 169,4 milhões. A estatal ampliou a fatia num aumento de capital. Na época, a empresa alterou o estatuto para evitar que a CCCC fosse obrigada a lançar uma oferta pública de aquisição ao atingir 30%.

Comunicado da Mota-Engil de 27 de abril de 2026 informa que a CCCC vendeu 1,41% das ações e ficou com 31%. O texto destaca que a estatal continua acima de 30% e mantém todos os direitos de uma participação desse porte. Indicados chineses ocupam um terço do conselho de administração, inclusive a vice-presidência, com Wang Jingchun.

Quatro dias em janeiro

A agenda de janeiro de 2026 concentra os interesses do grupo em Brasília. Em 22 de janeiro, Amauri participou de reunião no Ministério dos Transportes sobre a Bamin e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste. Em 26 de janeiro, Lula recebeu fora da agenda Manuel António da Mota, vice-presidente do conselho do grupo, para tratar da ferrovia, do Porto Sul e de uma mina em Caetité, na Bahia, segundo a Folha. No dia 27, Amauri teve reunião na área de infraestrutura do BNDES. No dia 28, o governo paulista assinou o contrato do túnel.

A expansão continua. A Mota-Engil negocia a compra de uma fatia da Odebrecht Engenharia e Construção. O Brasil já responde por cerca de R$ 14,6 bilhões em contratos a executar e é o terceiro maior mercado do grupo. A defesa de Lulinha reconhece a amizade com Amauri e nega negócios entre eles. A reportagem procurou a Petrobras e Casa Civil. O espaço segue aberto.



Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida