O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou há pouco que a corporação apura, com base em uma única matéria jornalística, uma possível interferência dos EUA nas eleições brasileiras. A apuração ainda está em fase preliminar. O 1º turno das eleições é realizado neste domingo (04). A votação começou às 8h e segue até 17h.
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Segundo Andrei, a PF recebeu uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), ligada ao governo Lula (PT), após uma reportagem do jornal The Guardian sobre um projeto norte-americano chamado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. A iniciativa previa cerca de R$ 5 milhões em recursos para grupos de oposição a abusos do poder judicial e à censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, disse Andrei em entrevista no CICCN (Centro Integrado de Comando e Controle Nacional), na sede da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
O diretor-geral da PF também afirmou que “não há risco efetivo ou elemento concreto” relacionado à existência de um plano contra as embaixadas dos EUA e da Austrália em Brasília. As duas representações suspenderam os atendimentos consulares às vésperas das eleições por medidas de segurança diante de uma suposta ameaça de ataque terrorista.
O governo dos EUA já negou que esteja tentando interferir nas eleições presidenciais brasileiras e afirmou não ter preferência pelo resultado da disputa. Washington também declarou que trabalhará com qualquer governo escolhido pelos brasileiros e que deseja apenas uma disputa “livre e transparente” no país.
A campanha de Lula à reeleição acionou recentemente o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedidos de medidas urgentes contra uma suposta interferência dos EUA nas eleições em favor do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
No STF, o PT apresentou o pedido no mesmo processo em que o ministro Flávio Dino determinou que medidas adotadas por governos estrangeiros não podem atingir brasileiros sem respaldo na legislação nacional, quando Alexandre de Moraes foi alvo da Magnitsky. A legenda solicitou uma liminar para estender os comandos de soberania a todas as etapas do processo eleitoral e pediu a abertura de investigação pela PF.
Na petição, o partido citou supostos anúncios remunerados no exterior em favor de Flávio no X. Segundo o documento, perfis localizados fora do Brasil e personalidades ligadas à política norte-americana teriam divulgado conteúdos impulsionados com o selo de “parceria paga”. As publicações utilizariam cotações da plataforma de apostas Polymarket para apontar, de acordo com a esquerda, favoritismo de Flávio.
A peça sustenta que o uso das cotações descontextualiza o cenário das pesquisas registradas e pode caracterizar financiamento e propaganda eleitoral proibida por procedência estrangeira. Entre as medidas cautelares solicitadas, o PT pede que o STF determine que atos de Estados estrangeiros não produzam efeitos sobre alistamento, registro de candidaturas, propaganda, votação, apuração e diplomação.
O partido também quer impedir que provedores de internet, plataformas digitais e instituições financeiras que atuem no país cumpram ordens externas de remoção de conteúdo, rotulagem e desmonetização, além de sanções patrimoniais ou restrições de serviços contra autoridades eleitorais, partidos, candidatos e prestadores de serviço.
A petição menciona ainda, sem provas, uma suposta atuação da rede conservadora norte-americana Rockbridge Network, fundada pelo vice-presidente americano, J.D. Vance, em favor de Flávio.
Já no TSE, Lula pediu outra investigação contra Flávio, seu vice, o deputado federal Alfredo Gaspar, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O partido acusa os três de suposto “abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação relacionados à interferência estrangeira na disputa” eleitoral. A ação apresentada ao TSE utiliza os mesmos fundamentos levados ao STF.
