O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), defendeu a suspensão das exportações de diesel do país em meio à disparada dos preços do combustível. A proposta, que chegou a ser descrita pelo politico como um plano de bloqueio por 90 dias, ainda não foi formalizada e enfrenta resistência dentro do próprio governo americano.
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A eventual restrição pode atingir o Brasil, que depende de importações para complementar cerca de 30% do diesel consumido no mercado interno. Em 2025, os Estados Unidos foram o terceiro maior destino das exportações americanas de diesel, com média de 103 mil barris por dia enviados ao país.
Trump afirmou na terça-feira (22) que havia pedido à equipe de governo que avaliasse a interrupção das vendas externas. “Não vamos exportar o diesel. Produzimos muito diesel”, declarou.
O presidente americano atribuiu parte da pressão sobre os preços aos ataques ucranianos contra refinarias russas. Segundo ele, os danos à capacidade de refino da Rússia ajudaram a reduzir a oferta internacional e pressionaram as cotações.
Apesar da declaração de Trump, a Casa Branca negou nesta quarta-feira que esteja preparando uma proibição geral de 90 dias nos termos divulgados pelo Politico. A Reuters informou que contratos futuros de diesel de baixo teor de enxofre nos EUA chegaram a cair cerca de 4% após a notícia sobre o suposto plano.
Governo Trump está dividido
A proposta também encontra resistência entre integrantes da própria administração.
O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que simplesmente bloquear as exportações não resolveria o problema. Segundo ele, a medida poderia provocar excesso de diesel em determinadas regiões dos Estados Unidos, reduzir o ritmo das refinarias e, como consequência, diminuir também a produção de gasolina e combustível de aviação.
“O instrumento direto de proibir as exportações de diesel definitivamente não funciona”, disse Wright.
O secretário do Interior, Doug Burgum, também alertou para possíveis retaliações de países exportadores de energia. A indústria petrolífera americana igualmente se posicionou contra a restrição.
O temor é que uma redução artificial das exportações desorganize o mercado em vez de ampliar a oferta disponível ao consumidor americano.
Pressão eleitoral
A discussão ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. Parlamentares republicanos passaram a pressionar Trump por medidas para reduzir o impacto do diesel sobre agricultores, caminhoneiros e outros setores dependentes do combustível.
Os preços do diesel atingiram níveis recordes nos Estados Unidos. A alta ocorre em um mercado internacional pressionado por interrupções no fornecimento relacionadas aos conflitos no Irã e na Ucrânia.
A combinação entre oferta restrita e estoques americanos abaixo da média elevou a preocupação com o custo do transporte e da produção agrícola. Segundo dados citados pela Reuters, o preço médio do diesel no varejo americano chegou a US$ 6,51 por galão.
Brasil fica exposto
O eventual corte das exportações americanas adicionaria pressão a um mercado brasileiro que já depende de combustível importado.
O governo brasileiro informou, ao justificar uma medida de subvenção ao diesel, que aproximadamente 30% do consumo nacional é atendido por importações. A exposição aumenta quando as cotações internacionais sobem ou quando o real se desvaloriza diante do dólar.
Os Estados Unidos têm peso relevante nesse fluxo. Dados da Administração de Informação de Energia americana mostram que o Brasil recebeu, em média, 103 mil barris por dia de derivados classificados como destilados em 2025. O volume mais que dobrou em relação a 2024.
Uma interrupção das vendas americanas não significa, por si só, desabastecimento no Brasil. O impacto dependeria da duração da medida, dos volumes efetivamente retirados do mercado e da capacidade de outros fornecedores ocuparem o espaço deixado pelos Estados Unidos.
Europa também entra na conta
A possível restrição americana ocorre em um momento de escassez internacional de diesel. A Europa, tradicionalmente dependente de importações do combustível, está entre as regiões mais expostas a uma redução da oferta dos Estados Unidos.
Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que uma barreira às exportações poderia até aliviar temporariamente os preços em algumas regiões americanas, mas reduziria a disponibilidade para compradores estrangeiros e aumentaria a pressão sobre o mercado internacional.
A situação é agravada pelos problemas enfrentados pela Rússia. Ataques ucranianos contra refinarias reduziram a capacidade russa de produzir e exportar derivados, enquanto outros grandes fornecedores também enfrentam restrições.
Segundo a Reuters, os estoques americanos de diesel permanecem cerca de 15% abaixo da média sazonal de cinco anos, mesmo com as refinarias operando em níveis elevados.
