A empresa de Daniel Vorcaro que firmou um segundo contrato de R$ 50 milhões com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, a Viking Participações, em maio de 2025, foi condenada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude na emissão de cotas de um fundo imobiliário que vendeu títulos a fundos de pensão de vários estados.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A decisão do colegiado da CVM foi tomada em 8 de setembro. A Viking foi multada em R$ 10 milhões. Daniel Vorcaro recebeu multa de R$ 20 milhões no mesmo processo. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e o primo, Felipe Vorcaro, também foram condenados. Eles ainda podem recorrer.
Segundo a decisão, a Viking teria funcionado como uma “empresa de passagem” para inflar ou direcionar artificialmente o valor de ativos vendidos por Vorcaro no mercado financeiro. Entre os compradores estavam fundos de pensão de estados e municípios.
O processo da CVM é independente das investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal sobre o caso Master.
A Viking era a holding patrimonial de Vorcaro que detinha aeronaves usadas pelo ex-dono do Banco Master. Pelo contrato firmado com o escritório Barci de Moraes, R$ 40 milhões dos R$ 50 milhões previstos seriam pagos por meio de cotas de aeronaves. O acordo envolvia um jato Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1.
Mensagens apreendidas pela PF indicam que os dois ativos chegaram a ser utilizados pela mulher de Alexandre de Moraes. O relatório policial também registra negociações relacionadas à transferência das cotas.
A documentação veio a público após André Mendonça retirar o sigilo de parte dos autos do caso Master. O material reúne 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes e registros sobre encontros entre os dois, além de conversas relacionadas a uma investigação sigilosa que antecedeu a prisão do banqueiro.
O contrato da Viking com o escritório de Viviane Barci foi firmado enquanto ainda estavam em andamento os pagamentos de um primeiro acordo entre o Banco Master e a banca. O contrato anterior, no valor de R$ 131 milhões, previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões.
Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, foram pagos R$ 80,2 milhões referentes ao primeiro contrato. O acordo previa a representação do Master em órgãos dos três Poderes, incluindo a Polícia Federal.
As mensagens apreendidas pela PF também incluem versões em PDF dos contratos. Em uma delas, consta que Alexandre de Moraes teria editado a versão final do primeiro acordo.
Quando o primeiro pagamento atrasou, em fevereiro de 2024, Vorcaro cobrou funcionários responsáveis pelo repasse.
“Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas”, disse o banqueiro.
Na semana passada, após a divulgação do relatório da PF, o escritório de Viviane Barci divulgou uma nota em que negou ter firmado outro contrato com o Banco Master além do primeiro acordo. Segundo a banca, o contrato “foi extinto com a liquidação” do banco.
