PF aponta pressão de amiga de Lulinha por compra de testes de dengue

A Polícia Federal investiga se a lobista Roberta Luchsinger pediu ao então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, que pressionasse o Ministério da Saúde para acelerar a compra de kits de teste de dengue.

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As tratativas ocorreram entre o fim de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Segundo a investigação, Luchsinger tentava inicialmente viabilizar um contrato para fornecimento de produtos derivados de canabidiol. Diante das dificuldades, passou a discutir também a venda de testes para dengue.

Nenhum dos dois negócios foi fechado.

Mensagens apreendidas pela PF indicam que a lobista buscou a intermediação de Marcola para acelerar a negociação com Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Em 22 de novembro de 2025, Luchsinger enviou a Marcola documentos relacionados à detecção da dengue. Na conversa, ela afirmou:

“To com Fabio [Luís Lula da Silva] aqui. Tem que deixar claro que é kit de teste tá”.

Na sequência, esclareceu:

“Não eh vacina. Vacina vamos buscar. E esse aí é o kit teste pra saber se tem dengue”

Segundo a PF, a intenção era que Marcola atuasse junto a Berger para viabilizar a compra dos testes e também os produtos à base de canabidiol.

“Correr para o Berger”

Outra mensagem, de 27 de janeiro de 2025, reforça a tentativa de acelerar a negociação. Luchsinger disse a um interlocutor ligado a Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que era necessário:

“correr para o Berger comprar isso logo”

A negociação ocorreu no mesmo período em que Luchsinger teria pago despesas de Marcola. A PF investiga a relação entre os pagamentos e a atuação do então chefe de gabinete.

Transferências para Marcola

Luchsinger também realizou transferências para Marcola. O valor exato não foi identificado, mas as informações reunidas na investigação apontam para cerca de R$ 80 mil.

Marcola ocupou a chefia de gabinete de Lula a partir de janeiro de 2023. Ele acompanhava o presidente havia anos e era responsável pela agenda de compromissos do petista.

O ex-chefe de gabinete afirmou que os valores correspondiam a um “empréstimo pessoal” e negou irregularidades.

A PF ainda apura a origem e a finalidade dos pagamentos.

Defesa nega intermediação

Procurada, a defesa de Marcola afirmou que ele “jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou de qualquer outro órgão do governo federal”.

“A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro continua sem acesso à íntegra dos autos e do inquérito. Os vazamentos seletivos de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, têm objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também questionou o conteúdo das mensagens. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a defesa “não sabe a que se refere essa menção” e não tem, “por ora, como atestar a autenticidade das referidas mensagens”.

“Não conhecemos a cadeia de custódia dessa suposta prova e não sabemos se ela está íntegra. Não só a defesa do Fábio, mas nenhuma outra tem condição de dizer que essas mensagens são verdadeiras”

O advogado afirmou ainda que Lulinha “nunca, em nenhum momento, fez nenhuma intervenção e nenhuma reunião” em favor dos negócios do Careca do INSS ou de outro empresário com o governo.

As defesas de Roberta Luchsinger e de Swedenberger do Nascimento Barbosa não responderam aos contatos.

Relação com Lulinha

Luchsinger é investigada no caso das fraudes contra a Previdência Social e prestou serviços ao Careca do INSS. Ela também mantém relação de amizade com Lulinha.

Em maio de 2026, a lobista afirmou que apresentou os dois por “boa educação” e negou ter intermediado negócios:

“Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais.”

Mensagens obtidas pela PF na Operação Sem Desconto mostram, porém, conversas entre Luchsinger e Lulinha sobre operações comerciais. Em uma delas, os dois discutem alternativas para manter dinheiro fora do alcance da Receita Federal. Luxemburgo apareceu entre os destinos considerados.

A investigação busca esclarecer se essas relações foram utilizadas para facilitar negócios privados junto ao governo federal.



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