Reciprocidade contra os EUA deve ficar para dezembro

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (19) que o processo de reciprocidade comercial contra os Estados Unidos não deve ser concluído antes de dezembro. Segundo ele, o governo brasileiro pretende usar os próximos meses para reunir informações sobre os efeitos das tarifas norte-americanas.

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O procedimento foi iniciado depois que o governo comunicou a medida aos demais integrantes do processo e aos Estados Unidos. Agora, os ministérios terão 60 dias para apresentar dados que poderão integrar um relatório sobre os impactos das tarifas.

“Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade”, disse o ministro a jornalistas durante o 5º Fórum Saúde, promovido pela Esfera EMS, em Brasília.

Elias Rosa afirmou que o governo espera negociar com os Estados Unidos nos próximos meses e “resolver, ou pelo menos aplacar minimamente as questões” antes do fim do ano.

Segundo o ministro, o contato inicial com os norte-americanos serviu apenas para comunicar a abertura do procedimento. Neste momento, não está definida qual medida de reciprocidade poderá ser adotada.

Ministro critica tarifa norte-americana

Elias Rosa classificou as tarifas impostas pelos Estados Unidos como uma “barreira comercial” e afirmou que a medida é “ilegal”, “indevida” e “abusiva”.

De acordo com o ministro, 47% das exportações brasileiras destinadas aos EUA estão sujeitas a tarifas de 12,5%, 25% ou 37,5%. Desse total, 16% estão submetidas à alíquota de 37,5%.

O impacto sobre a balança comercial brasileira deverá ser calculado ao final do ano, segundo Elias Rosa.

O ministro afirmou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras diminuiu, enquanto as vendas para outros mercados aumentaram. Ele citou Egito, Índia, Peru, Vietnã e China como países onde o Brasil registra saldo comercial positivo.

Governo nega relação com eleições

Elias Rosa rejeitou a possibilidade de vincular as negociações comerciais com os Estados Unidos ao calendário eleitoral brasileiro.

“Não há, da parte do governo brasileiro, nenhum atrelamento ao calendário eleitoral”, disse.

O ministro também afirmou que questões políticas internas do Brasil não devem fazer parte das negociações sobre tarifas. Para ele, uma eventual tentativa nesse sentido representaria “outro abuso” e “outra inadequação”.

Brasil busca ampliar comércio com a Asean

O governo também pretende ampliar as relações comerciais com a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), formada por 11 países.

Elias Rosa afirmou ter proposto um acordo de integração produtiva com os integrantes do bloco. Também estão em discussão possíveis entendimentos na área de investimentos.

“A proximidade com a Asean é muito relevante porque nós estamos falando de grandes potências econômicas na Ásia e que podem significar diversificação para o mercado brasileiro”, afirmou.

Segundo o ministro, a Asean, considerada como bloco, é o quinto maior parceiro comercial do Brasil. Ele também citou a Ásia e a União Europeia como mercados relevantes para ampliar a diversificação das exportações brasileiras.



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