O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem (19) que há um “clamor” pela reestatização da Sabesp e que pretende estudar todas as possibilidades para a companhia caso seja eleito. A declaração foi feita pelo ex-ministro da Fazenda em sabatina à rádio CBN e aos jornais O Globo e Valor Econômico.
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Haddad, no entanto, reconheceu que reverter uma privatização recém-concluída seria um “imbróglio jurídico medonho”.
“A maioria das pessoas é a favor da reestatização [da Sabesp]. Eu já vi pesquisa que 54%, 55% dos paulistas são a favor da reestatização [da Sabesp]. Eu nem sei se estão considerando o fato de que tem gente que mora em cidade que não é atendida pela Sabesp, porque esse número pode ser bem maior se pegar só os atendidos pela Sabesp. Então, eu sei desse clamor e eu vou estudar com muito carinho todas as possibilidades. Mas antecipo: você reestatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio jurídico medonho, de um tamanho grande”, afirmou Haddad na sabatina.
O petista também prometeu, se eleito, abrir um diálogo com a companhia: “Vou sentar de boa fé à mesa com a Sabesp e falar: olha, do jeito que está, não dá. Ou a gente revê as salvaguardas para a população – inclusive a fórmula de reajuste da conta e a questão do abastecimento – ou nós vamos ter problema”.
Ao falar sobre o peso de sua candidatura na disputa nacional, Haddad afirmou que está em um projeto “nacional e estadual”. Segundo ele, a decisão de concorrer ao governo de SP também teve como objetivo não colocar em risco a reeleição de Lula.
“Eu vim para cá para não colocar (a reeleição de Lula em risco). Dentre outras coisas, eu penso que tem um projeto nacional”, afirmou o petista. Ele citou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência como um “risco ao País” e disse não conceber a hipótese do senador chegar ao Planalto.
Haddad também admitu, na sabatima que disputa a eleição em desvantagem em relação a Tarcísio. Ele classificou a corrida pelo governo paulista como uma “luta de Davi contra Golias” e afirmou não saber se terá tempo para apresentar à população suas críticas à gestão estadual.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de a disputa terminar no 1º turno pela ausência de outras candidaturas competitivas, Haddad disse não saber se esse cenário pode interferir na disputa nacional. O petista lembrou que o PSDB liquidou a eleição paulista no 1º turno “n vezes”, inclusive com o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
