O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta quinta-feira (6) que, se eleito, responderá às tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros com medidas de retaliação. As declarações foram dadas durante sabatina à GloboNews.
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Segundo Zema, o Brasil deve negociar diretamente com o governo norte-americano, mas sem abrir mão de adotar sanções caso considere necessário.
“Eu irei lá quantas vezes forem necessárias, junto com os setores envolvidos, para conversar com o presidente, com os parlamentares e fazer o que for melhor para o Brasil. E também começar a ver o que o Brasil pode fazer de sanções. Nós não vamos ser capachos dos Estados Unidos nem de ninguém”, afirmou.
O ex-governador de Minas Gerais disse que o país precisa aprimorar sua estratégia de negociação internacional e avaliar quais produtos importados dos Estados Unidos poderiam ser substituídos por fornecedores de outros mercados.
“O Brasil precisa aprender a negociar melhor. Negociação demanda tempo, demanda gente capacitada. Não é algo tão simples assim”, declarou.
Apesar de defender uma reação ao tarifaço, Zema fez críticas ao presidente norte-americano Donald Trump.
“Nós temos lá nos Estados Unidos um presidente imprevisível e um tanto quanto fanfarrão, que está causando turbulências em boa parte do mundo”, disse.
Críticas
Durante a entrevista, Zema responsabilizou o presidente Lula (PT) pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos.
“Lula atacou os Estados Unidos o tempo todo. Primeiro, aproximando-se de países como Cuba, Venezuela e Irã. Depois, questionou o dólar”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a atuação da família Bolsonaro na crise comercial, o candidato também atribuiu responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Com toda a certeza. Se ele pode contribuir e gosta tanto, deveria ter feito isso em favor dos brasileiros. Fica um empurrando a responsabilidade para o outro”, declarou.
Visto de embaixadora
Zema também comentou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Para o candidato, houve erros tanto do governo Lula quanto da administração norte-americana.
“Mais uma vez, foi algo inadequado do governo Lula e do PT. Acho que o Brasil errou e acho que os Estados Unidos erraram também”, afirmou.
Segundo Zema, permitir a presença de observadores internacionais nas eleições brasileiras não comprometeria a soberania do país.
“Quem não deve não teme. Você ganha até confiança quando há checagens e auditorias externas”, disse.
O candidato voltou a defender a adoção do voto impresso em parte das urnas eletrônicas para possibilitar conferências posteriores dos resultados.
STF
Durante a sabatina, Zema também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e citou a ação movida pelo ministro Gilmar Mendes contra ele em razão de vídeos publicados nas redes sociais.
“Parece-me que estamos em um regime de exceção no Brasil, onde não se pode fazer sátira”, afirmou.