O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas a Lula (PT) no domingo (02), chamando o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”. “Ele foi solto [da prisão] devido a um erro processual. Ele não é inocente”, afirmou Milei, em referência às condenações de Lula no âmbito da Lava Jato, anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
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As declarações foram dadas durante entrevista ao programa La Cornisa, apresentado pelo jornalista Luis Majul na emissora LN+. O argentino defendeu as críticas feitas recentemente ao petista e afirmou que suas falas ocorreram de forma espontânea.
“Eles falam sobre interferência política na região. Se alguém está interferindo politicamente na região, é Lula, contaminando tudo com as ideias imundas do socialismo”, disse Milei.
O argentino também rebateu acusações de que teria atacado o Brasil ou os brasileiros ao criticar Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes:
“O pior é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um corrupto e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes [do STF], que me negou uma visita a [Jair] Bolsonaro”.
Milei também rejeitou a avaliação de que suas declarações foram agressivas contra o petista: “Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, afirmou.
No mês passado, o presidente argentino participou, em São Paulo, do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Durante o discurso, Milei defendeu suas políticas econômicas na Argentina, criticou o socialismo, Lula e os programas sociais adotados pelo governo petista.
“Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de ‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”, afirmou o argentino no evento do PL.
Milei associou a candidatura de Flávio a uma “transformação política em curso” na América Latina. Segundo o argentino, países da região estariam se aproximando da direita e se afastando da esquerda, movimento que, na avaliação dele, poderia incluir o Brasil com uma eventual vitória de Flávio.
Após as declarações, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro aos comentários. O Itamaraty também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países.