Ditadura venezuelana tinha mecanismo para alterar 1,5 milhão de votos

CIA: Ditadura venezuelana tinha mecanismo para alterar 1,5 milhão de votos

Documentos da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, divulgados ontem (16) por determinação do presidente Donald Trump, apontam que o regime ditatorial venezuelano possui, desde 2012, capacidade técnica para alterar até 1,5 milhões de votos em eleições.

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Segundo os documentos, a estrutura envolve a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN) e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Os órgãos teriam condições de manipular resultados por meio de máquinas de votação pré-programadas, com capacidade para deslocar pelo menos 1,5 milhões de votos em áreas de maior influência do chavismo.

A CIA afirma que “Relatórios da Comunidade de Inteligência de 2004-2020 documentaram preocupações persistentes sobre a manipulação pelo governo venezuelano de sistemas de votação eletrônica e as potenciais implicações para a segurança nacional na infraestrutura eleitoral dos EUA”.

Os documentos acrescentam que “A inteligência estabeleceu que funcionários do governo venezuelano desenvolveram interesse sustentado e provavelmente alguma capacidade em manipular sistemas de votação eletrônica, incluindo a tecnologia Smartmatic, para influenciar resultados eleitorais na Venezuela.”

Assim como o Brasil, a Venezuela utiliza urnas eletrônicas nas eleições. No sistema venezuelano, o eleitor se identifica por biometria, registra o voto na urna eletrônica e recebe um comprovante impresso, que é conferido e depositado em uma segunda urna para auditoria. Os votos são transmitidos por uma rede própria, sem conexão com a internet, e parte deles é posteriormente confrontada com os comprovantes em papel.

Os registros fazem referência à eleição presidencial de 2012, quando Hugo Chávez, já doente, derrotou Henrique Capriles após um ano de gastos públicos estimados em 70 mil milhões de dólares.

Após a morte de Chávez, em março de 2013, Nicolás Maduro venceu Capriles por margem estreita, e a oposição denunciou irregularidades. Apesar disso, a CIA afirma que não encontrou provas conclusivas de que tenha sido necessária uma fraude eletrônica para alterar o resultado daquele pleito.

O relatório aponta uma mudança de cenário em 2017, durante a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, boicotada pela oposição. Na ocasião, a própria Smartmatic, empresa responsável pelo sistema de votação, afirmou que os números de participação haviam sido inflados em pelo menos 1 milhão de votos. A Constituinte, presidida inicialmente por Delcy Rodríguez, foi convocada durante a crise política daquele ano e terminou sem elaborar a nova Constituição que prometia aprovar.

Segundo os documentos, a mesma estrutura também estava disponível para as eleições legislativas de 2020, embora não tenha sido utilizada porque a oposição decidiu não participar do pleito após o chavismo retirar o controle de partidos políticos e impedir a candidatura de lideranças oposicionistas.

O relatório também cita a eleição presidencial de julho de 2024. Segundo os documentos, nesse caso não teria sido necessária uma fraude eletrônica sofisticada, pois o regime alterou diretamente os números para reverter a vitória de Edmundo González Urrutia sobre Nicolás Maduro. As atas eleitorais apontavam cerca de 7 milhões de votos para González Urrutia e 3 milhões para Maduro. A oposição documentou esse resultado por meio dos códigos QR das atas eleitorais, que se tornaram a principal referência para a reconstituição da votação.

Os documentos afirmam ainda que, mesmo após a queda do regime e a instalação de um novo governo sob supervisão internacional, a DGCIM, o SEBIN e o CNE continuaram em funcionamento. Elvis Amoroso, então presidente do Conselho Nacional Eleitoral e responsável por homologar o resultado de 2024, permaneceu no cargo durante as negociações para a formação de um novo órgão eleitoral.

A CIA ressalva, porém, que as informações de inteligência indicam que autoridades venezuelanas “desenvolveram um interesse constante e provavelmente alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação”, mas que os dados “não confirmaram de forma definitiva a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas na Venezuela”.



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