Entidades denunciam barreiras do governo venezuelano à ajuda

Venezuela terremoto

As operações de busca por sobreviventes dos terremotos que devastaram parte da Venezuela continuam mais de uma semana após a tragédia, mas organizações humanitárias nacionais e internacionais afirmam que enfrentam obstáculos impostos pelo governo de para atuar nas regiões afetadas.

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Embora equipes de resgate ainda consigam localizar pessoas com vida, como um homem retirado dos escombros após permanecer oito dias soterrado, entidades denunciam que restrições de acesso, exigências burocráticas e bloqueios têm dificultado o trabalho de socorristas. Entre os grupos que chegaram ao país para prestar assistência estão equipes brasileiras e especialistas de outros países.

Além dos desafios naturais de uma operação em área de desastre, como congestionamentos e dificuldades de deslocamento, organizações afirmam que agentes estatais têm limitado o acesso a pontos de busca e condicionado a atuação de equipes estrangeiras.

A organização beneficente Amavex, sediada nos Estados Unidos, informou ter recebido relatos de bombeiros venezuelanos impedidos de acessar locais onde havia operações de resgate. Em publicações nas redes sociais, a entidade divulgou imagens que mostram um bloqueio realizado pela Polícia Nacional Bolivariana e criticou a medida, defendendo que o salvamento de vítimas deve prevalecer sobre qualquer outro interesse durante uma emergência.

Outra entidade que relatou dificuldades foi a ISAR Germany, especializada em missões internacionais de busca e resgate. Segundo a organização, uma equipe médica de emergência formada por 41 voluntários teve a autorização de entrada na Venezuela negada, apesar de o país ter sinalizado anteriormente a necessidade de apoio internacional.

O grupo afirmou que a decisão foi comunicada pelo Ministério da Saúde venezuelano às vésperas da missão, impedindo o embarque de profissionais e equipamentos. Não há confirmação de que a equipe tenha conseguido ingressar posteriormente no território venezuelano.

Também houve relatos de constrangimentos durante as operações. Francisco Lermanda, representante da equipe chilena Topos Chile, declarou à imprensa local que militares interrompiam frequentemente os trabalhos para verificar documentos dos socorristas, alegando suspeitas de que integrantes das equipes pudessem atuar como espiões.

Após os terremotos, o governo venezuelano reforçou a presença militar na região de La Guaira, uma das mais afetadas pelos tremores, e passou a controlar o acesso de voluntários e profissionais. A justificativa oficial é evitar a entrada de pessoas sem treinamento, o que poderia comprometer a segurança das operações de resgate.

Entretanto, opositores e organizações da sociedade civil questionam essa explicação e afirmam que as restrições estariam dificultando a chegada de ajuda humanitária. Reportagens da imprensa internacional também mencionam denúncias de barreiras burocráticas, postos de fiscalização, estradas bloqueadas e relatos de cobranças irregulares durante o deslocamento de equipes.

Além das críticas à condução da resposta oficial, surgiram denúncias de supostas irregularidades na distribuição de doações. Organizações da diáspora venezuelana e entidades beneficentes afirmam ter recebido informações sobre problemas na entrega de alimentos, água e outros itens essenciais às vítimas.

Vídeos compartilhados nas redes sociais ainda mostraram quatro policiais sendo flagrados por moradores transportando objetos retirados de imóveis atingidos pelos terremotos. Posteriormente, as autoridades informaram a prisão dos agentes.

Enquanto isso, milhares de pessoas permanecem desalojadas e dependem de abrigos improvisados. Moradores relatam escassez de alimentos, água potável e dificuldades para acessar ajuda humanitária. Em alguns centros de acolhimento, desabrigados afirmam que a distribuição de mantimentos tem provocado disputas entre os próprios sobreviventes, agravando o cenário enfrentado pelas famílias afetadas.



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