O presidente Lula (PT) cumpriu, nesta quarta-feira (1º), uma série de compromissos oficiais na Bahia ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA), em sua primeira aparição pública com o parlamentar desde a operação da Polícia Federal (PF) que colocou o ex-líder do governo no Senado entre os investigados no caso envolvendo o Banco Master.
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A agenda começou em Alagoinhas, onde Lula participou da cerimônia de inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte.
No evento, também foram anunciadas entregas de veículos destinados às áreas da Saúde e da Educação. Além do presidente e de Wagner, participaram da solenidade o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e outras autoridades da base governista.
A presença de Lula e Jaques Wagner no mesmo palanque ocorreu poucos dias após a troca no comando da liderança do governo no Senado. Na última semana, o parlamentar baiano deixou a função, que passou a ser exercida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Apesar da mudança, Wagner continua sendo um dos principais articuladores políticos do presidente e mantém forte influência dentro da bancada petista.
Durante o discurso, o senador agradeceu os investimentos federais destinados à Bahia e destacou sua relação com Lula. “Se tiver como sintetizar numa palavra o sentimento dos baianos pelo senhor, é gratidão”, afirmou.
Em seguida, acrescentou: “Eu me orgulho de estar ao seu lado, dentro desse hospital”.
A mudança na liderança do governo ocorreu dias depois de Jaques Wagner ser incluído entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de fraudes financeiras relacionado ao Banco Master e analisa a possibilidade de o senador ter recebido vantagens econômicas indevidas ou atuado em favor de interesses da instituição financeira.
Wagner nega qualquer irregularidade. O senador admite manter amizade com o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima e ex-sócio do Banco Master, mas afirma que jamais recebeu benefícios financeiros ligados ao grupo e sustenta que colaborará com as investigações.
Nos bastidores do governo, a saída da liderança foi interpretada como uma medida para reduzir o desgaste político provocado pelas investigações. Integrantes da base aliada avaliam, contudo, que a participação conjunta de Lula e Wagner em agendas oficiais demonstra que o presidente mantém a confiança em um de seus aliados mais antigos.
Após o compromisso em Alagoinhas, Lula seguiu para a região metropolitana de Salvador, onde visitou o canteiro de obras da Ponte Salvador-Itaparica. À noite, participou da cerimônia de reabertura do Teatro Castro Alves.
Diferentemente dos anos anteriores, o presidente não participará das celebrações da Independência da Bahia, realizadas em 2 de julho.
Segundo o Palácio do Planalto, a ausência decorre de recomendação médica para evitar exposição prolongada ao sol, após o tratamento preventivo realizado por Lula em razão de um câncer de pele no couro cabeludo.