Banco Central indica juros altos por mais tempo

Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília

O Banco Central do Brasil indicou que a política de juros deve permanecer restritiva por um período prolongado diante da piora das expectativas de inflação e do aumento das incertezas no cenário econômico. A avaliação consta da ata da 279ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23).

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No documento, o colegiado afirma que o ambiente atual exige uma “restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, após identificar uma nova piora na ancoragem das expectativas inflacionárias, especialmente no horizonte de médio e longo prazo.

Com isso, o BC passou a projetar que a inflação só deve convergir para a meta no primeiro trimestre de 2028. No cenário de referência, as estimativas apontam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,2% em 2026 e 3,7% no quarto trimestre de 2027 — ambos ainda acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Riscos

A autoridade monetária destacou que o balanço de riscos segue inclinado para cima, ou seja, com maior probabilidade de pressão inflacionária do que de alívio nos preços.

Entre os principais fatores de alta, o Copom cita a persistência da desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços, a possibilidade de câmbio mais depreciado e um nível de demanda interna ainda acima da capacidade produtiva da economia.

Já entre os riscos de baixa estão uma desaceleração mais forte da atividade econômica no Brasil e no exterior, além de eventual queda nos preços de commodities.

Impacto na política monetária

A ata também reforça a preocupação com o cenário fiscal. O BC avalia que eventuais incertezas sobre a trajetória da dívida pública e um enfraquecimento no ritmo de reformas estruturais podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia.

Segundo o documento, esse ambiente reduz a eficiência da política monetária e aumenta o custo necessário para controlar a inflação. O colegiado ainda alerta que o aumento de crédito direcionado pode diminuir a potência da taxa Selic como instrumento de controle de preços.

Atividade econômica

No diagnóstico mais recente, o Copom observa uma retomada da atividade econômica, com aceleração no primeiro trimestre de 2026 e resiliência de setores ligados à renda.

O mercado de trabalho segue como ponto de atenção, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos rendimentos reais acima da produtividade, dinâmica que pode pressionar a inflação à frente.

Selic em 14,25%

Na última decisão, o Comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Apesar disso, o BC sinaliza cautela com o ritmo de flexibilização monetária e afirma que a estratégia atual busca equilibrar a convergência da inflação com a estabilidade da atividade econômica.

A autoridade também indicou que não descarta ajustes mais firmes na política de juros caso choques externos, como tensões geopolíticas ou mudanças no cenário de preços, exijam uma postura mais dura.



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