Flávio Bolsonaro e as mulheres de direita

Flávio Bolsonaro e Daniella Marques

Michelle Bolsonaro estragou tudo… especialmente para ela e para seus aliados. Priscilla Costa, por exemplo, estava sendo considerada para vice pelo próprio Flávio, como uma forma de acomodar a pressão da madrasta por espaços de poder. Essa possibilidade agora é nula, como também é nula qualquer chance da vereadora de postular uma cadeira no Senado, e corre até o risco de não ter a legenda para deputada federal.

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Sem contar que o eleitor bolsonarista, irado com o vídeo, já se questiona se Michelle tem condições de ser senadora. Se na hora H, apertará o botão do impeachment de Alexandre de Moraes ou se defenderá o perdão de seu “irmão em Cristo”, mesmo sendo ele considerado por este mesmo eleitor bolsonarista o algoz de Jair, o assassino de Clezão; o torturador de Filipe, Anderson e Heleno, o carrasco do estado democrático de direito.

Michelle Bolsonaro estragou seu sobrenome, por isso está sendo chamada nas redes sociais apenas de Michelle Firmo, e comparada à rainha Jezabel.

A ira do eleitor bolsonarista não é só pelo ato desarrazoado que parece aumentar o sofrimento do marido preso injustamente, mas a postura vitimista tão comum às feministas de esquerda. Alegar não ter ‘lugar de fala’ na política soa hipócrita, quando ocupa posição de dirigente partidária, controla o PL Mulher com mão de ferro e dispõe de recursos financeiros e humanos que muitas lideranças de direita nem sonham acessar.

Dizer publicamente que foi humilhada por seu enteado e pré-candidato à Presidência soa como uma tentativa barata de colar a pecha de misógino em Flávio e em todos os homens que cruzam o seu caminho. Pior é que nada disso tem amparo na realidade. Parece o caso da Ortobom, que tem uma CEO como mulher, mas acabou condenada por não ter mulheres na gerência a unidade de Arapongas (PR).

É tão sem propósito e até irônico, considerando que Flávio votou (e eu critiquei) pelo PL da Misoginia (um projeto de esquerda) e sempre considerou a escolha de uma mulher para a posição de vice. No mesmo dia do fatídico vídeo de Michelle, horas antes, ele exaltava o nome da deputada Bia Kicis (presidente do PL-DF) como eventual companheira de chapa, assim como vez dias antes com a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).

De Tereza Cristina a Daniella Marques, não faltam nomes de grandes mulheres, seja no PL ou entre aliados, para ocupar o Palácio do Jaburu numa gestão Flávio. Ironicamente, nenhuma delas se faz de vítima ou usa a ‘carta do gênero’ para trucar o debate político. Muito pelo contrário. São lideranças legítimas, que construíram suas trajetórias com o cérebro, não com a genitália.

Equilibram política e maternidade com maestria, carregam suas crias e famílias nos braços com orgulho, não como um fardo. Dias atrás, Júlia interrompeu uma entrevista ao vivo no meu programa para amamentar Olívia de pouco mais de 1 aninho, a mesma que já levou ao plenário durante uma votação. Soube ontem que Daniella também se divide entre a campanha de Flávio e a maternidade do pequeno Lucas, de apenas 1 ano e meio.

É um privilégio para a direita tê-las na política e o 01 sabe muito bem disso. Elas não são exceção, mas a regra entre milhões de eleitoras que precisam ser alcançadas por políticas públicas que não as tratem como vítimas, mas como protagonistas de suas vidas e famílias, gerando um ciclo de prosperidade material e espiritual para toda a sociedade. Esse será o pano de fundo do evento de Flávio com mulheres conservadoras, na próxima quarta-feira. Michelle foi convidada.



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