Ancelotti ou os patrocinadores da CBF e da Fifa?

Há um futebol que você assiste na TV, desenhado por táticas, suor e o talento puro de garotos como Endrick. E há o futebol real, aquele jogado nos bastidores de Zurique e da Barra da Tijuca, onde cifrões valem muito mais que gols; onde contratos de exclusividade blindam gramados inteiros. 

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Não é possível torcer por um time, pela seleção ou mesmo por um jogador, sem compreender o que rola fora do campo. Na coletiva pós Brasil x Marrocos, o técnico Carlo Ancelotti evitou sobre ter deixado o camisa 9 no banco, mesmo com um coletivo perdido em campo e suando para evitar a derrota.

Sem uma explicação técnica convincente, resta a análise sobre a guerra de patrocínios envolvendo o atacante. Endrick é agenciado por um estafe que desenhou sua carreira para ser uma marca independente, transformando-o num ecossistema comercial que hoje entra em choque direto com o da própria Fifa e da CBF.

Ao assinar com a New Balance, o garoto rejeitou o duopólio Nike/Adidas para ser o rosto de uma revolução na marca americana. O problema? A Nike despeja cerca de US$ 100 milhões por ano nos cofres da CBF para garantir que a mística da “Amarelinha” seja indissociável da sua ‘asa da vitória’. E na Copa do Mundo, a dona do pedaço é a Adidas, parceira histórica da Fifa. 

Quando Endrick entra em campo, cada close em sua chuteira New Balance agride diretamente o investimento bilionário das gigantes que financiam a CBF e a FIFA. O mesmo vale para a sua fabricante de celulares (Tecno) desafiando a Motorola na Copa e a Vivo na Seleção; ou o seu energético (Red Bull) peitando a Coca-Cola e o Guaraná Antarctica nos bastidores.

Treinadores de elite como Carlo Ancelotti não são alheios a essa engrenagem. Eles respiram o ambiente de clubes-empresa e seleções nacionais há décadas, também embolsando gordos patrocínios. A resistência com Endrick passa, naturalmente, por essa pressão corporativa externa.

O treinador sabe que, ao escalá-lo, a guerra de marcas se acirra: a Regra 40 entra em vigor, a fiscalização sobre o que o atleta consome no banco de reservas triplica e o ambiente político da confederação ferve. Endrick tem talento para fazer história, mas antes precisará driblar os contratos de exclusividade que tentam ditar o tempo que ele pode — ou não — brilhar sob os refletores.

Como disse o próprio camisa 9, ao lado de Neymar no banco: “Mas é isso, né. Uai, se eu pudesse, eu entrava.”



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