O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a cooperação entre Brasil e EUA precisa ser uma via de mão dupla e cobrou do governo Trump mais ações em favor do país, incluindo a prisão de brasileiros considerados foragidos pela Justiça. A declaração foi dada em entrevista publicada pela Folha na noite de ontem (04).
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A fala ocorreu após o governo Trump classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo Andrei, “se de fato essa recíproca é verdadeira”, “os Estados Unidos precisam contribuir ainda mais com o Brasil, prendendo foragidos, bloqueando e congelando patrimônios, restituindo ao país recursos desviados. São várias ações que precisamos continuar realizando em conjunto”.
Entre os brasileiros considerados foragidos pelo governo Lula e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que atualmente estão nos Estados Unidos estão o jornalista Allan dos Santos e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
O chefe da PF afirmou ainda, na entrevista, que ainda é cedo para avaliar se a decisão do governo norte-americano de enquadrar PCC e CV como terroristas terá impacto prático na interlocução entre os órgãos de segurança dos dois países.
Andrei também alegou que parte dos desafios enfrentados pelo Brasil no combate ao crime tem origem em atividades criminosas ligadas aos EUA, citando o tráfico internacional de armas e drogas. Segundo ele, a maior apreensão de armas já realizada pela PF, no Aeroporto do Galeão, no Rio, envolvia armamentos provenientes dos EUA.
O diretor mencionou ainda a entrada recorrente no Brasil de carregamentos de haxixe oriundos do país de Donald Trump.
Na entrevista, Andrei disse ainda que a PF mantém uma ampla rede de cooperação internacional, com presença em 36 países distribuídos pelos cinco continentes e participação em organismos internacionais de polícia.