Os grupos narcoterroristas brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passam a ser classificados, a partir de hoje (05), como “Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs)” pelo governo dos Estados Unidos. Na semana passada, eles já haviam sido designados pelos EUA como “Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs)”.
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Ao anunciar a medida, em 28 de maio, o governo Trump afirmou que o PCC e o CV “são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que, juntas, “comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros”.
“Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.
As duas classificações são complementares, mas possuem bases legais distintas:
- A designação como SDGT está amparada por um decreto editado por George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001. A medida dispensa aprovação do Congresso norte-americano e determina o bloqueio de bens e interesses dos grupos terroristas sob controle de pessoas ou entidades dos EUA.
- Já a classificação como FTO, que entra em vigor nesta sexta, está prevista na Lei de Imigração e Nacionalidade desde 1996, exige notificação ao Congresso e transforma em crime federal o fornecimento de “apoio material” aos grupos.
As duas medidas permitem, na prática, o congelamento de ativos, proíbem transações com os grupos criminosos designados, impedem a entrada de integrantes nos EUA, que também podem ser deportados, e obrigam instituições financeiras americanas a comunicar ao Departamento do Tesouro recursos ligados aos narcoterroristas. O descumprimento das restrições pode resultar em sanções civis e criminais.
Com a decisão, PCC e CV passam a integrar uma lista com mais de 90 organizações classificadas como terroristas pelos EUA, ao lado de grupos como Hamas, Hezbollah, Al Qaeda e Estado Islâmico, além de cartéis latino-americanos como Sinaloa e Tren de Aragua, incluídos na ofensiva do governo Trump contra o narcotráfico na região.