O Lula afirmou hoje (2) que espera um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
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Durante evento em Catalão (GO), Lula disse que a recomendação apresentada pelo órgão norte-americano não estaria alinhada ao entendimento firmado entre os dois governos durante encontro realizado em maio.
“Então, Trump, é o seguinte, cara: Você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você e nem eu”, declarou o presidente.
Lula também afirmou que os dois líderes haviam concedido prazo para que ministros dos dois países conduzissem negociações antes de qualquer decisão comercial.
“Esse acordo não pode ter sua anuência, porque nós dois combinamos 30 dias para poder ter uma resposta sobre o que nós propusemos”, disse.
Na mesma fala, o petista afirmou aguardar explicações do presidente americano sobre o avanço da proposta tarifária.
“Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou.
A manifestação ocorreu um dia após o USTR divulgar relatório preliminar recomendando a aplicação de tarifas de 25% sobre importações brasileiras. A proposta prevê exceções para produtos enquadrados em categorias ligadas à segurança nacional dos Estados Unidos.
Segundo o órgão americano, a recomendação está vinculada a uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O relatório cita temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas comerciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, medidas anticorrupção e desmatamento ilegal.
Em nota, o USTR afirmou que “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.
O processo ainda não foi concluído. O governo americano realizará consultas públicas e uma audiência marcada para 6 de julho. A decisão final sobre eventuais medidas contra o Brasil deverá ser tomada até 15 de julho.
Também nesta terça-feira, o governo Lula divulgou nota oficial classificando como injustificada a recomendação apresentada pelo USTR. O comunicado atribui a abertura da investigação à atuação da família Bolsonaro junto a autoridades americanas.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz o texto.
O governo federal afirmou ainda que considera as medidas politicamente motivadas e declarou esperar que as recomendações não sejam transformadas em sanções efetivas. Segundo a nota, o Brasil adotará medidas para “reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”.