O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou nesta segunda-feira (2) que encaminhou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano não aplique tarifas sobre produtos brasileiros. O documento foi enviado após a divulgação do relatório preliminar da investigação comercial conduzida com base na Seção 301, que poderá resultar em sanções contra o Brasil.
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Na carta, Flávio agradece a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirma que a medida foi recebida positivamente por grande parte dos brasileiros. Segundo ele, a decisão representa um passo para ampliar o combate ao crime organizado no continente.
Ao mesmo tempo, o senador pede que Washington não avance com a imposição de tarifas contra o Brasil. No documento, ele argumenta que a economia brasileira atravessa dificuldades fiscais e financeiras e sustenta que novas barreiras comerciais atingiriam diretamente trabalhadores, famílias e empresas do país.
Flávio cita indicadores econômicos para justificar o pedido. Segundo o texto, a dívida pública brasileira superou 80% do PIB, enquanto milhões de brasileiros e empresas enfrentam dificuldades financeiras. O senador afirma que a imposição de tarifas causaria prejuízos justamente à população que vê os Estados Unidos como parceiro estratégico.
No ofício, o parlamentar também afirma acreditar que poderá vencer as eleições presidenciais de 2026 e diz estar disposto a iniciar negociações para um amplo acordo comercial e de investimentos entre os dois países. O texto defende uma parceria baseada em livre mercado, cooperação econômica e fortalecimento das relações bilaterais.
Veja a íntegra da carta de Flávio
Flávio também utilizou as redes sociais para comentar que durante sua agenda em Washington, ele defendeu que empresários brasileiros não deveriam ser penalizados pela política econômica do governo federal.
“Além disso, eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula. Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia, perseguição, estão até saindo do Brasil. Então eu expliquei que não seria justo taxá-los ainda mais.”
O senador também afirmou ter informado às autoridades americanas que uma eventual mudança de governo em 2027 poderia abrir caminho para novas negociações comerciais entre os dois países.
“Eu reforcei que os Estados Unidos não precisaria mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil, porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual. A gente vai chegar a um acordo que seja bom para as duas nações.”
No vídeo, Flávio argumenta que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos teve início em 2025, antes de sua viagem à capital americana.
“Esse estudo, que foi divulgado agora, da chamada Sessão 301, englobou mais de 60 países, incluindo o Brasil. Uma investigação que começou em 2025, muito antes da minha visita aos Estados Unidos, na semana passada.”
O parlamentar atribuiu a deterioração da relação entre Brasília e Washington ao governo Lula e criticou declarações do presidente sobre os Estados Unidos e o dólar.
“A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, pelo seu discurso anti-americano por defender que o dólar deixe de ser moeda padrão nas relações internacionais.”
Flávio também voltou a defender a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano. Segundo ele, a medida cria uma oportunidade para ampliar a cooperação internacional contra o crime organizado.
“Em dois dias, como pré-candidato à presidência do Brasil, já fizemos mais pela segurança pública do povo brasileiro do que o Lula e o PT em 20 anos.”
Ainda sobre o tema, afirmou que pretende aproximar o Brasil de iniciativas internacionais de combate às facções criminosas.
“A partir de 2027, se assim o povo brasileiro quiser, e Deus permitir, o Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas. Uma parceria de praticamente todos os países das Américas para combater de verdade o crime organizado e as facções terroristas.”
Durante a gravação, o senador também respondeu às críticas feitas por Lula mais cedo em evento realizado em Goiás. O presidente associou integrantes da família Bolsonaro à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.