O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a Polícia Federal rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. O criminalista tem afirmado para a imprensa que a decisão ocorreu “de comum acordo”. A informação foi confirmada pela equipe deste site.
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A mudança ocorre em meio ao avanço das negociações entre a defesa de Vorcaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidiu manter as tratativas mesmo após a recusa formal da PF.
Nos bastidores, investigadores avaliam que a proposta apresentada pelo banqueiro não trouxe fatos inéditos nem detalhou informações consideradas essenciais para o avanço das apurações. A Polícia Federal também apontou omissões relevantes no material entregue pela defesa.
Especialista em acordos de colaboração premiada, Juca assumiu a defesa de Vorcaro em março deste ano. O advogado atuou em delações de grande repercussão nacional, incluindo acordos ligados à Operação Lava Jato, como o do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.
Apesar da saída de José Luis Oliveira Lima, o advogado Sérgio Leonardo permanece na defesa do ex-banqueiro nas negociações envolvendo a possível colaboração premiada.
Interlocutores ligados ao caso afirmam que Daniel Vorcaro estaria disposto a ampliar o alcance da delação após o desgaste provocado pela prisão preventiva e pela pressão das investigações. Segundo relatos obtidos por veículos de imprensa, o banqueiro já teria deixado de lado a estratégia inicial de blindagem de aliados políticos e empresariais.
A Procuradoria-Geral da República ainda negocia os termos de uma eventual colaboração, mas integrantes da PF avaliam que um acordo homologado nas condições atuais enfrentaria forte resistência dentro da própria investigação e poderia ter dificuldades para ser validado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, após nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, incluindo emissão de títulos de crédito falsos, gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal estima que o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 40 bilhões. Segundo os investigadores, o patrimônio do grupo teria sido inflado artificialmente por meio de operações financeiras fraudulentas.
Além de Daniel Vorcaro, também permanecem presos o pai dele, Henrique Vorcaro; o primo, Felipe Cançado Vorcaro; e o cunhado, Fabiano Zettel, apontados pela PF como integrantes do núcleo financeiro investigado.
Nesta semana, a defesa do banqueiro também pediu ao ministro André Mendonça a transferência de Vorcaro da carceragem da Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Os advogados alegaram que as condições atuais da custódia não seriam adequadas para a permanência do empresário durante o andamento das negociações e do processo.