Flávio Bolsonaro não se deixou abater pelo noticiário negativo em torno dos contatos com Daniel Vorcaro e promoveu uma reviravolta em sua estratégia de comunicação. Ele acaba de bater o martelo sobre a contratação de Eduardo Fischer, publicitário premiado e criador de algumas das campanhas mais icônicas do mercado publicitário brasileiro. É dele o slogan “Brahma, a número 1”, criado para a Copa de 1994 e que fez toda a seleção brasileira – e o Brasil – adotar o famoso gesto com o punho fechado e o indicador para cima.
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Precursor do marketing de guerrilha no país, Fischer foi eleito cinco vezes o maior publicitário do ano e acumula na estante mais de 700 prêmios. Foi sócio de Roberto Justus e chegou a trabalhar em algumas campanhas majoritárias — foi conselheiro de Álvaro Dias, em 2018. Na política, porém, é a primeira vez que assume a posição principal de uma campanha e com chances reais de vitória. Apesar do recuo nas intenções de voto após o episódio do financiamento do filme Dark Horse, Flávio segue como favorito da direita para outubro.
Além da Brahma 01, Fischer também marcou a história com a campanha ‘Baby’ da Telesp Celular, que marcou o lançamento do primeiro plano pré-pago do Brasil -, e a retomada do “baixinho da Kaiser”. O publicitário também idealizou em 2010 o festival de música SWU, realizado em Itu (SP) — uma espécie de Woodstock brasileiro, com bandas de vários gêneros, exibição de filmes e mobilização social do público em torno da pauta da sustentabilidade.
MARCELLO PEDIU PARA SAIR
A escolha de Fischer se deu após decisão de Marcello Lopes de deixar a campanha. Dono da Calix e amigo de Flávio, Marcellão ficou incomodado com a avalanche de críticas que surgiram em meio à crise do caso Master. O marqueteiro, que atuava informalmente como um conselheiro, negociou sua entrada formal na campanha, mas combinou com o senador de começar o trabalho efetivamente no dia 1 de junho e viajou para a Flórida com a família.
No mesmo momento, veio à tona a história do áudio de Flávio e a troca de mensagens com Vorcaro, cobrando apoio financeiro ao filme Dark Horse, que reconstitui a campanha de Jair Bolsonaro de 2018 e o episódio da facada de Adélio Bispo. Enquanto o senador decidiu confirmar o pedido ao banqueiro, a produtora do filme nos EUA soltou nota alegando que o dinheiro não seria do Master, mas do grupo Entre, de Antonio Freixo, o Mineiro.
Uma questão meramente formal — Mineiro investiu no projeto a pedido de Vorcaro — acabou gerando ruídos e provocando desgaste desnecessário. Aliados de Flávio passaram, então, a cobrar mudanças na comunicação, atribuindo as falhas à ausência de Marcello Lopes no momento mais importante da pré-campanha. O marqueteiro voltou ao país ontem à noite e comunicou ao amigo senador seu incômodo diante da situação e colocou o cargo à disposição.