O governo federal autorizou os Correios a comercializar seguros, títulos de capitalização e outros serviços financeiros, além de atuar no mercado de telefonia celular. A medida foi publicada nesta quinta-feira (14) no Diário Oficial da União (DOU).
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A estratégia busca ampliar a arrecadação da estatal, que enfrenta sucessivos déficits operacionais e pode precisar de novo aporte do Tesouro Nacional em 2027.
A portaria do Ministério das Comunicações permite aos Correios ofertarem serviços por meio de convênios com instituições financeiras.
Entre as atividades autorizadas estão:
- venda e intermediação de seguros de automóvel, vida, residência e viagem;
- comercialização de bônus promocionais, cupons e vale-benefícios;
- oferta de certificados, consórcios, créditos e aplicações financeiras;
- venda de títulos de capitalização.
A medida também libera a estatal para atuar como operadora virtual de telefonia móvel, em parceria comercial e seguindo regras da Agência Nacional de Telecomunicações.
Outro segmento autorizado envolve serviços de logística, incluindo gestão de compras, armazenagem, movimentação de cargas e separação de mercadorias.
Segundo o texto da portaria, a implementação dos novos serviços dependerá de estudo prévio de viabilidade econômica e financeira.
“A implantação dos serviços de que trata esta Portaria será precedida de estudo que demonstre sua viabilidade econômico-financeira, observado o atendimento a critérios e parâmetros de mercado que proporcionem retorno dos investimentos e margem de remuneração compatíveis com a sustentabilidade da ECT”, informou o governo.
Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, acumulando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O rombo foi mais de três vezes superior ao prejuízo de R$ 2,6 bilhões contabilizado em 2024.
Em março, a ministra Esther Dweck afirmou que o governo poderá realizar aporte de capital na estatal em 2027.
Segundo a ministra, a previsão consta no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pelos Correios com um consórcio de bancos em dezembro de 2025.