A articulação dos evangélicos pentecostais e neopentecostais para emplacar Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal fracassou. Abner Ferreira (Assembleia de Deus Madureira), Samuel Ferreira (Assembleia de Deus do Brás), o bispo Robson Rodovalho (Sara Nossa Terra) e o apóstolo Estevam Hernandes (Renascer em Cristo) apoiavam sua indicação, referendada no topo por André Mendonça, sob a alegação de que era preciso ‘equilibrar’ o jogo de forças contra Alexandre de Moraes dentro da Corte.
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Como revelei há algumas semanas, a justificativa nunca parou de pé e apenas espelhava o corporativismo de um tribunal que precisa ter sua composição reformada para continuar existindo dentro da República. Validar Messias ia no sentido contrário, o de consolidação de forças autoritárias e de viés globalista anti-conservador. Apoiar Messias, sob qualquer prisma, só por medo, oportunismo ou absoluta incompreensão sobre a batalha cultural que serve de pano de fundo à batalha política.
Mendonça, que chegou a sabatinar o AGU em reunião privada — com direito a pedido de perdão do petista e juras de fidelidade à pauta cristã –, me parece desconhecer a guerra que está travando. Aproveito esse artigo para lhe dizer novamente que Moraes pode ter seu próprio candidato, que nunca foi o candidato de Lula, mas ambos comungam do mesmo princípio antirrepublicano. Aceitar qualquer coisa que venha dessa turma por mero pragmatismo é abdicar do dever cristão de resistir ao mal.
Que essa mensagem chegue aos líderes religiosos que sucumbiram cedo demais à tentação de seguir o fluxo do poder e que, diante da derrota fragorosa de Lula, recalibram sua bússola política. Com o café do petista esfriando, a candidatura de Flávio Bolsonaro agora atrai Silas Malafaia e até Marcos Pereira; em breve, reunirá todo o centro político. Apoiar Lula, sob qualquer prisma, só por medo, oportunismo ou absoluta incompreensão sobre a batalha cultural que serve de pano de fundo à batalha política.