As empresas estatais federais registraram déficit de R$ 5,9 bilhões nos três primeiros meses de 2026, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (30). O resultado já supera o rombo acumulado em todo o ano de 2025, de cerca de R$ 5,1 bilhões.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
O déficit ficou concentrado no início do ano. Em janeiro, o resultado negativo chegou a R$ 4,9 bilhões. Em março, o saldo foi menor, de R$ 469 milhões.
O indicador do Banco Central não inclui grandes companhias, como Petrobras e Eletrobras, e reflete principalmente a situação de estatais dependentes ou com maior fragilidade financeira.
O resultado ocorre em um cenário de piora das contas públicas. Em março, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões, ante superávit de R$ 3,6 bilhões no mesmo mês de 2025.
No período, o governo central teve déficit de R$ 74,8 bilhões. Governos regionais registraram saldo negativo de R$ 5,4 bilhões. As estatais contribuíram com cerca de R$ 500 milhões de déficit no mês.
Em 12 meses, o déficit primário do setor público chegou a R$ 137,1 bilhões, equivalente a 1,06% do PIB.
O resultado nominal, que inclui o pagamento de juros, foi negativo em R$ 199,5 bilhões apenas em março. No acumulado de 12 meses, o rombo soma R$ 1,2 trilhão, ou 9,41% do PIB.
A piora ocorre em meio às dificuldades financeiras de empresas como os Correios, que encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. A estatal contratou, em dezembro, um empréstimo de R$ 12 bilhões para capital de giro.
O governo revisou para cima a estimativa de déficit das estatais para 2026, diante da projeção de resultados negativos ao longo do ano.