O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou hoje (17) que a revogação da chamada “taxa das blusinhas” pode voltar a ser discutida pela Casa, mas que uma suspensão total do tributo não deve ocorrer.
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A possibilidade é considerada pelo Palácio do Planalto como medida para tentar elevar a popularidade do Lula às vésperas do início da campanha eleitoral.
A taxa corresponde a um imposto de importação de 20% sobre compras no exterior de até US$ 50. A cobrança foi aprovada pelo Congresso com votos da base governista e da oposição e sancionada pelo presidente após acordo com o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“É importante ouvir a justificativa do governo, já que essa medida traria também um impacto fiscal nas contas públicas, já que há um aumento da arrecadação com essa taxação, saber se o Orçamento deste ano suporta uma possível revogação dessas taxas. Tenho total disposição de dialogar. A Câmara sempre é muito simpática a reduzir impostos”, afirmou.
Motta disse que tomou conhecimento da intenção do governo após entrevista do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e que irá ouvir lideranças partidárias antes de avançar no tema.
Segundo o deputado, a taxação foi aprovada para proteger o comércio nacional diante da concorrência de varejistas estrangeiras. Ele afirmou que a medida também gerou desgaste político ao governo, conforme apontam pesquisas recentes.
Apesar de sinalizar abertura ao diálogo, Motta indicou que a revogação integral não deve prosperar e que será necessário discutir um modelo alternativo.
“Vamos sempre procurar nessas decisões ouvir a todos, ouvir o setor produtivo, ouvir os representantes dos consumidores da sociedade brasileira e ouvir, claro, as lideranças partidárias para poder ver a possibilidade de se avançar ou não na revogação dessas taxas. Essa medida pode trazer um impacto nas contas públicas”, declarou.
O tema está na pauta de reunião entre Motta e Guimarães. Também será discutido o projeto enviado pelo governo sobre a jornada de trabalho 6×1, que deve tramitar por meio de Proposta de Emenda à Constituição.
A taxa gerou arrecadação de R$ 5 bilhões no último ano. Em 2026, foram R$ 1,2 bilhão entre janeiro e março, segundo dados da Receita Federal. A tributação inclui 20% de imposto de importação e 17% de ICMS.
No início do mês, entidades da indústria e do comércio divulgaram manifesto em defesa da manutenção da cobrança. O documento afirma que a medida contribuiu para geração de empregos e aumento de investimentos.