O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal estuda um novo modelo de renegociação de dívidas que pode incluir descontos expressivos concedidos por bancos e fintechs, com respaldo da União para reduzir o risco das operações.
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Segundo o ministro, a ideia central é permitir a redução significativa do valor devido antes da etapa de refinanciamento.
“Ainda que haja um abatimento elevado, uma parte da dívida permanece e precisará ser refinanciada. Nesse ponto, o governo pode oferecer uma espécie de garantia para estimular as instituições a renegociarem em condições mais favoráveis”, explicou em entrevista.
Durigan ressaltou que o mecanismo não se trata de subsídio direto, mas de uma estratégia para dar segurança ao sistema financeiro e ampliar a concessão de crédito em condições mais acessíveis. O impacto fiscal da proposta, no entanto, ainda não foi detalhado.
A medida é tratada como prioridade pelo presidente Lula (PT), que tem defendido soluções para o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Em discurso recente, o petista classificou a situação como um entrave para a percepção de melhora econômica no país.
“O Brasil está com a economia andando, mas as famílias continuam pressionadas por dívidas. Isso acaba pesando no dia a dia das pessoas”, afirmou o presidente, ao comentar o tema durante agenda pública em Goiás.
Lula também indicou que pediu à equipe econômica uma proposta que facilite o pagamento das dívidas sem desestimular o consumo. Segundo ele, o objetivo não é impedir o crédito, mas torná-lo mais sustentável. “A questão é equilibrar o que se ganha com o que se gasta, para que a dívida não vire um problema maior”, disse.
Dados do Banco Central do Brasil mostram que o endividamento das famílias atingiu 49,7% em janeiro, próximo do recorde histórico registrado em 2022. Já a inadimplência, considerada quando há atraso superior a 90 dias, alcançou o maior nível desde 2012.
O novo programa em estudo deve substituir modelos anteriores, como o Desenrola Brasil, e tende a ser mais simples operacionalmente. Entre as mudanças previstas está a inclusão de ações de educação financeira como contrapartida, com o objetivo de evitar que consumidores voltem a se endividar após a renegociação.