Não é todo dia que um indicado do presidente da República para o Supremo é rejeitado pelo Senado. Na verdade, isso não ocorre desde 1894! A derrota de Jorge Messias é também uma derrota de Lula e se deve a uma série de fatores; essencialmente, a uma articulação estratégica de Rogério Marinho, a um sentimento de vingança de Davi Alcolumbre; e, claro, há uma mudança importante no horizonte do poder em Brasília.
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Pode-se dizer que a derrota de Messias começou no dia em que Lula rejeitou o nome de Rodrigo Pacheco, aliado de Alcolumbre e de Alexandre de Moraes, para o STF. O presidente do Senado não está acostumado a ver seus pleitos serem rejeitados e chegou a romper com o petista, guardando a mágoa por meses. Surge então a figura de Rogério Marinho, que passa a convencer o colega de que segurar a sabatina não seria o suficiente.
Era preciso impor uma derrota histórica a Lula.
Nesse processo, as pesquisas indicando a perda de sustentação do atual presidente e o crescimento sólido de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto serviram de argumento para algo que move a política no Brasil e em qualquer parte do mundo: a expectativa de poder. Ninguém, afinal, quer se associar a um projeto perdedor, especialmente políticos com apetites por cargos e emendas.
O útil uniu-se ao agradável, e criou-se o cenário ideal para a rejeição histórica. Alcolumbre mandou avisar Lula que o Planalto teria o apoio necessário para a aprovação de Messias, enquanto fazia campanha contrária nos bastidores junto a outros senadores. Há duas semanas, percebi essa mudança de ares e confirmei a articulação. Enquanto veículos tradicionais de mídia repetiam o placar de votos fantasmas do governo, nosso site trazia a contagem da oposição.
A pressão nas redes, junto ao trabalho de mobilização via debate diário, serviu como forma de manter a pressão sobre os senadores mais indecisos, ajudando a virar seus votos. Afinal, ninguém quer se associar a um projeto perdedor. O resultado está aí e o resto é história. Agora, a oposição pediu a Alcolumbre que segure qualquer nova indicação para o Supremo até o resultado de outubro. Ou seja, a vaga de Luís Roberto Barroso deverá ser preenchida pelo próximo presidente da República.
É possível que nesta quinta-feira, Lula sofra uma segunda derrota, com a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, enfraquecendo ainda mais sua candidatura à reeleição. Não duvido que ele acabe desistindo de disputar o Planalto, quando cair a ficha de que sua quarta vitória eleitoral está cada vez mais distante. Agentes políticos e econômicos já sentem o cheiro de sangue nas ruas. Hoje, é dia de comemorar.