Desde o início do atual mandato do Lula, o governo federal já editou 43 medidas para aumentar a arrecadação, o equivalente a uma nova iniciativa a cada 27 dias.
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O avanço ocorre em meio a recordes de arrecadação. Em 2025, o governo federal fechou o ano com R$ 2,9 trilhões arrecadados, alta real de 3,65%.
Ao todo, a atual gestão criou ou elevou impostos 36 vezes. Outras cinco propostas perderam validade junto com a medida provisória conhecida como “MP taxa tudo”, além de duas iniciativas de natureza não tributária.
Segundo o advogado tributarista Luís Garcia, a quantidade de medidas é elevada para padrões de países emergentes, que já apresentam carga tributária próxima a 34% do PIB.
“Trata-se, na prática, de uma estratégia recorrente e preocupante de recomposição fiscal pela via arrecadatória, sem que se observe, na mesma proporção, um esforço de racionalização do gasto público ou de redução estatal”, afirma.
De acordo com ele, o aumento de impostos pressiona empresas e consumidores, reduz competitividade e desestimula investimentos, com impacto sobre a atividade econômica.
Em 2025, o crescimento econômico foi de 2,3%, o menor desde a pandemia.
No campo fiscal, relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) indica que o país precisaria gerar superávit primário superior a 2% do PIB para conter o avanço da dívida pública.
Apesar da arrecadação recorde, a meta do governo para 2026 é de déficit zero, com uso de mecanismos já adotados em 2025, como limites do arcabouço fiscal e despesas fora do resultado primário.
Pesquisa Datafolha apontou aumento da percepção negativa da economia: 46% dos entrevistados dizem que a situação piorou, ante 41% em dezembro de 2025.
As medidas adotadas envolvem reoneração de combustíveis, aumento de impostos sobre importações, tributação de investimentos, elevação de IOF e revisão de incentivos fiscais.
Entre as ações estão a taxação de compras internacionais, criação de imposto sobre exportação de petróleo, tributação de fundos exclusivos e offshores, além de aumento de tributos sobre operações financeiras e setores específicos.
O governo também aprovou o voto de qualidade no Carf e tentou retomar a cobrança do DPVAT, posteriormente revogada.
Há ainda propostas em discussão para ampliar a tributação sobre serviços digitais e grandes empresas de tecnologia.