O governador do DF, Ibaneis Rocha, solicitou ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) empréstimo de R$ 4 bilhões para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB), impactado após operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
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O pedido foi formalizado por carta enviada ao fundo na última terça (24), com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços financeiros, apoiar políticas públicas e preservar a liquidez da instituição.
A operação prevê carência de 18 meses e pagamentos semestrais, com remuneração baseada no CDI acrescido de spread.
O modelo inclui tanto reforço de capital quanto eventual linha de liquidez, sujeita a ajustes entre governo e FGC. Como garantia, o DF ofereceu participações em estatais, como BRB, Caesb e CEB, além de nove imóveis públicos autorizados em lei. Parte desses ativos enfrenta questionamentos judiciais, como a área da Serrinha do Paranoá e o complexo Centrad.
O governo classificou a operação como “estruturante”, com objetivo de recompor indicadores exigidos pela regulação bancária, como o Índice de Basileia. Entre os resultados esperados estão expansão da carteira de crédito, financiamento de infraestrutura e habitação, apoio a micro e pequenas empresas e estímulo à economia local e à arrecadação.
O DF encerrou 2025 com déficit de cerca de R$ 1 bilhão e sem garantias do Tesouro Nacional para novas operações de crédito, o que levou à necessidade do recurso do FGC. O BRB enfrenta perdas com ativos problemáticos e precisa elevar provisões estimadas em bilhões de reais.
O banco adquiriu R$ 12,2 bilhões em falsos créditos consignados do Master, mas recuperou parte desses recursos. A necessidade de provisões do BRB gira em torno de R$ 8,8 bilhões, enquanto auditoria independente estima impacto de até R$ 13,3 bilhões devido a operações sem lastro.
A liberação dos recursos dependerá da análise do FGC quanto à viabilidade, risco e consistência das garantias apresentadas. O governo prepara plano de negócios, plano de capital e diagnóstico financeiro, além de detalhamento das garantias e cronograma de implementação.
O BRB também enfrenta dificuldades para divulgar os resultados de 2025 dentro do prazo, e o Banco Central resiste a conceder prorrogação.