A rede de laranjas ligada ao núcleo paulista do Comando Vermelho (CV), usada pela cúpula do grupo Fictor para lavar dinheiro, reunia cerca de 100 empresas de fachada. O esquema contava com o apoio de gerentes bancários.
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A estrutura era comandada por Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta manhã (25).
Os agentes não conseguiram localizá-lo. A suspeita é de que ele esteja no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, Ralado utilizava documentos falsos para abrir empresas em nome de terceiros, muitas vezes sem conhecimento dos envolvidos. Essas empresas eram usadas para obter empréstimos bancários que não eram pagos e para movimentar recursos ilícitos.
A atuação do investigado foi identificada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, durante apuração sobre o chamado Bando do Magrelo, grupo que disputava território com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, no interior paulista.
De acordo com as apurações, a rede também foi utilizada para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Após a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, o Comando Vermelho teria assumido o controle das operações na região, com apoio logístico e fornecimento de armamentos.
A Polícia Federal aponta ainda que o esquema envolvia a cooptação de gerentes bancários, que recebiam propina de até R$ 30 mil para facilitar operações. Parte desses envolvidos foi presa na operação desta quarta-feira.
A Operação Fallax cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva. Até o momento, 13 pessoas foram presas. Também foi determinado o bloqueio de bens e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
As investigações indicam que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar transferências. Os valores eram posteriormente convertidos em bens de alto valor e criptoativos.
A operação ocorre em três estados e apura fraudes bancárias, estelionato e lavagem de dinheiro. O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 500 milhões.