Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, colocaram no centro das investigações uma possível articulação envolvendo o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o dirigente do União Brasil, Antônio Rueda. As informações são do jornal O Globo.
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Os diálogos, analisados pela Polícia Federal e pela CPMI do INSS, indicam que Costa teria relatado a Vorcaro uma conversa com Rueda durante o período em que o BRB negociava uma operação para socorrer a instituição financeira privada. No conteúdo, o ex-dirigente do banco público afirma que estaria “sempre” ao lado do empresário, em meio às tratativas.
O material foi encontrado entre arquivos armazenados por Vorcaro, que costumava registrar e guardar capturas de tela de conversas consideradas estratégicas. Investigadores avaliam que os registros ajudam a mapear a rede de interlocução do banqueiro em Brasília.
Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa sustentou que as mensagens fazem parte de interações típicas entre executivos do setor financeiro e ocorreram dentro das atribuições institucionais do cargo. Segundo os advogados, as comunicações não substituem os ritos formais de governança e todas as decisões passaram pelas instâncias técnicas do BRB.
Já Antônio Rueda afirmou que não comenta diálogos privados divulgados de forma irregular e declarou não ter relação com Vorcaro além de contatos sociais pontuais. A defesa do banqueiro não se manifestou.
Operação sob suspeita
À época das conversas, o BRB negociava a aquisição de participação relevante no Banco Master, em uma operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões. A iniciativa, no entanto, acabou barrada pelo Banco Central, que posteriormente determinou a liquidação da instituição privada diante de indícios de irregularidades e dificuldades financeiras.
As investigações avançaram e passaram a apontar suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito negociadas entre os bancos. Segundo a Polícia Federal, há indícios de irregularidades que podem alcançar R$ 12,2 bilhões.
Depoimentos prestados ao Supremo Tribunal Federal indicam versões divergentes entre Costa e Vorcaro sobre o conhecimento da origem desses ativos.
Rede de influência
Uma das frentes da apuração busca esclarecer se o banqueiro contou com apoio político para viabilizar a operação. Relatos reunidos pelos investigadores sugerem que Vorcaro valorizava sua rede de contatos na capital federal e atribuía a ela parte de sua ascensão no mercado financeiro.
Outros documentos e mensagens analisados reforçam a hipótese de proximidade com lideranças políticas. Entre os registros, há referências a interações com dirigentes partidários e episódios que ampliam o alcance das conexões do empresário.
A Polícia Federal segue reunindo elementos para entender o fluxo das negociações e o papel de cada agente envolvido no caso, que ainda está em fase de investigação.