O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), afirmou hoje (17) que o governo Lula trabalhará para aprovar ainda em 2026 o fim da escala 6 x 1. O tema foi o principal da entrevista concedida ao Canal Gov no programa Bom Dia, Ministro.
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Segundo ele, a proposta prevê jornada semanal de até 40 horas, dois dias de folga e manutenção dos salários.
“Esse projeto poderia chamar o projeto da família brasileira”, declarou. “Estamos falando de mais tempo com a família”.
Boulos afirmou que a mudança busca responder ao desgaste enfrentado por trabalhadores que cumprem a escala atual.
“Qual é a convivência familiar que um trabalhador que está 6 dias no trabalho e 1 único dia em casa consegue ter?”, questionou.
O ministro também afirmou que “o trabalhador brasileiro está exausto” e mencionou o aumento de afastamentos relacionados ao burnout.
Ele argumentou que a jornada atual não acompanhou mudanças tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.
“Você teve tantos avanços tecnológicos e na produtividade. Por que o trabalhador ainda precisa trabalhar ao mesmo tempo?”, disse.
Ao comentar a resistência à proposta, Boulos criticou setores do empresariado.
“Toda vez que você fala em direito para o trabalhador, você vai ter uma reação dos grandes empresários, dos banqueiros, do andar de cima”, afirmou.
Segundo o ministro, existe uma “operação em curso contra o fim da 6 X 1” com o objetivo de evitar a votação da proposta.
“O negócio é não votar”, disse.
Ele declarou que, caso a tramitação no Congresso seja atrasada, o presidente Lula poderá enviar um projeto com regime de urgência.
“Uma coisa é respeitar o trâmite do Legislativo, outra coisa é permitir a enrolação”, afirmou.
De acordo com Boulos, o texto incluiria “fim das 6 X 1, máximo de 5 X 2, redução da jornada de 44 para 40 horas, sem redução do salário”.