Alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (17), o empresário Natjo Pinheiro Lima movimentou mais de R$ 1,1 bilhão em suas contas bancárias entre 2023 e 2025, segundo dados obtidos a partir de quebras de sigilo fiscal e bancário.
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As informações, divulgadas pelo portal Metrópoles, foram repassadas pela Receita Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e colocam o investigado no centro de um esquema que apura descontos irregulares em benefícios previdenciários. De acordo com a PF, Natjo integra a cúpula do chamado “núcleo cearense” da organização.
O pico das movimentações ocorreu em 2024, quando os valores ultrapassaram R$ 500 milhões. No ano seguinte, o volume caiu, mas ainda permaneceu elevado, acima de R$ 260 milhões.
Para os investigadores, o empresário desempenhava função estratégica, atuando na gestão dos recursos, na divisão dos valores e na manutenção da estrutura do esquema. A avaliação foi reforçada em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que o descreveu como um dos líderes da organização.
Mensagens analisadas no curso da investigação também indicam conflitos internos sobre a distribuição de recursos. Em um dos diálogos, o empresário reclama da divisão de valores com a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), mencionando disputa por participação nos ganhos.
A apuração aponta ainda a ligação de Natjo com a advogada e ex-servidora do INSS Cecília Rodrigues Mota, que também figura entre os investigados. Registros indicam repasses financeiros e diversas viagens internacionais realizadas em conjunto.
Além do fluxo bilionário, a investigação identificou a aquisição de patrimônio expressivo. Entre 2024 e 2025, foram comprados ao menos 19 imóveis, a maioria localizada em Fortaleza, somando cerca de R$ 31,5 milhões.
Entre os bens está uma mansão de alto padrão, avaliada em mais de R$ 27 milhões, adquirida à vista no início de 2025. O imóvel acabou bloqueado pela Justiça Federal do Ceará no decorrer das investigações.
O caso integra um conjunto mais amplo de apurações sobre possíveis fraudes no sistema previdenciário, que seguem em andamento sob coordenação da Polícia Federal e supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).